Na próxima semana, o Grupo de Trabalho de Desenvolvimento do G20 realizará uma reunião ministerial para discutir o acesso ao saneamento básico, um desafio crítico para os países em desenvolvimento.
A reunião acontecerá nos dias 22 e 23 de julho, no Rio de Janeiro. O fórum Favelas 20 (F20) também abordou o tema, defendendo a importância de garantir serviços essenciais para todos os cidadãos.
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Impactos da falta de saneamento
Conforme o DataSUS, a falta de acesso à água, saneamento básico e higiene no Brasil resulta em cerca de 233 mil internações por ano, metade envolvendo crianças de 0 a 5 anos. A Região Norte do país, que abriga a maior bacia hidrográfica do Brasil, apresenta os piores índices nesses aspectos. Esse foi um dos tópicos discutidos no painel de lançamento do Favelas 20 (F20), que destacou os desafios das favelas no acesso a esses serviços.
Realidade alarmante
Rayane Pereira, da Ação Cidadania e moradora da Baixada Fluminense, apresentou dados alarmantes da Casa Fluminense, revelando que Belford Roxo possui apenas 0,3% de cobertura de saneamento básico. A geógrafa Rejane Ferreira ressaltou os problemas históricos enfrentados pelas favelas, especialmente em áreas de morro, onde as dificuldades são ainda mais acentuadas. Ela explicou que o fluxo natural das águas está comprometido devido ao descarte inadequado de esgoto, levando à contaminação das águas pluviais.
Importância do Comitê de Bacia Hidrográfica
Rejane destacou a importância do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, que abrange 17 municípios do Estado do Rio de Janeiro. O Comitê é responsável pela classificação dos rios e pela determinação da segurança das águas para consumo humano. No entanto, ela apontou que a população não tem conhecimento suficiente sobre o trabalho do Comitê.
Participação da comunidade
Rayane enfatizou a importância da participação das comunidades das favelas em debates como o F20 e o G20, afirmando que é impossível colocar a favela no centro das discussões sem incluir diretamente a comunidade. Ela destacou a frase “Nada sem nós” para reforçar essa necessidade.
Racismo ambiental
A geógrafa Rejane Ferreira levantou questões sobre a disparidade no acesso à água e coleta de lixo entre áreas privilegiadas e favelas. Ela questionou por que o Estado não prioriza a população das favelas, negando acesso a serviços essenciais para uma vida digna. Rejane destacou que “cada R$ 1 investido em saneamento resulta em uma economia de R$ 9 em saúde básica”. Ela concluiu enfatizando que “o saneamento é fundamental para a vida. Sem água, não há vida”.
Ação do G20
A reunião ministerial do Grupo de Trabalho de Desenvolvimento do G20, que ocorrerá nos dias 22 e 23 de julho no Rio de Janeiro, é uma oportunidade crucial para abordar essas questões e buscar soluções que garantam acesso universal a água e saneamento básico.
O G20 pode ajudar a promover políticas que incentivem investimentos em infraestrutura de saneamento, assegurando que recursos sejam direcionados para as áreas mais necessitadas e promovendo a inclusão social e econômica das comunidades marginalizadas.


