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O impacto do envelhecimento na demanda por cuidadores de idosos no Brasil

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O envelhecimento da população brasileira está mudando o panorama do mercado de trabalho, com destaque para a profissão de cuidador de idosos. À medida que o país envelhece rapidamente, o número de pessoas que necessitam de assistência no dia a dia aumenta, impulsionando a demanda por cuidadores.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), entre 2019 e 2023, o número de cuidadores remunerados no Brasil cresceu 15%.

O que dizem os dados do IBGE sobre o envelhecimento populacional?

Esse cenário reflete a transição demográfica brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2070, 37,8% dos brasileiros terão 60 anos ou mais. Paralelamente, a taxa de fecundidade caiu para 1,57 filho por mulher em 2023, reduzindo o crescimento populacional.

Essa combinação faz com que mais famílias busquem apoio profissional para cuidar de seus parentes idosos.

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O envelhecimento populacional não é apenas um desafio, mas também uma oportunidade para repensar políticas públicas, mercado de trabalho e o papel do cuidado na sociedade | Foto: Reprodução/Canva

A profissão de cuidador: um papel indispensável

A história de Rodrigo Rafael de Camargo, ex-segurança que se tornou cuidador, ilustra os desafios e as recompensas dessa profissão. Rodrigo começou auxiliando um casal de idosos e rapidamente se envolveu em tarefas mais íntimas, como higiene pessoal e administração de medicamentos.

Sua relação com Carlos, um idoso com demência, foi além do profissional, criando laços emocionais profundos.

A maioria dos cuidadores, entretanto, não compartilha o perfil de Rodrigo. Segundo o pesquisador Jorge Félix, o cuidador típico é uma mulher negra, de baixa escolaridade, e com cerca de 40 anos. Essa realidade é fruto de uma mudança no mercado de trabalho doméstico.

Com a regulamentação da profissão de empregada doméstica, muitas trabalhadoras migraram para o cuidado de idosos, um setor em expansão.

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Salários e regulamentação: o futuro da profissão

A profissão de cuidador de idosos ainda não é regulamentada no Brasil, mas isso pode mudar em breve. Em dezembro de 2024, o Senado aprovou a Política Nacional de Cuidado, que reconhece o cuidado como um direito do cidadão e abre caminho para a regulamentação dessa atividade.

Especialistas esperam que a regulamentação traga benefícios como melhores condições de trabalho, maior segurança para os cuidadores e formação profissional adequada. Atualmente, os salários variam, podendo ultrapassar três salários mínimos (R$ 4.236) para profissionais com experiência e qualificação.

Por outro lado, a falta de regulamentação e treinamento adequado pode expor os cuidadores a riscos físicos e emocionais. A ausência de preparo para lidar com situações de emergência ou cuidar de pessoas com condições graves pode gerar estresse, ansiedade e problemas de saúde.

Os desafios emocionais do trabalho de cuidado

O envolvimento emocional é uma característica marcante da profissão. Rodrigo relata o impacto de cuidar de Carlos nos últimos dias de vida. A relação próxima e a dependência emocional do idoso tornaram a experiência tanto gratificante quanto dolorosa.

Esse aspecto emocional, embora humanize o trabalho, também representa um risco. Sem apoio psicológico ou formação, cuidadores podem sofrer com esgotamento mental. A regulamentação e o reconhecimento da profissão são passos importantes para garantir suporte a esses profissionais.

Um setor em expansão

Com a crescente demanda, o cuidado de idosos se posiciona como uma das profissões do futuro no Brasil. Além disso, a integração do cuidado como serviço no Sistema Único de Saúde (SUS), prevista na Política Nacional de Cuidado, pode ampliar o acesso a esses serviços para a população mais vulnerável.

O envelhecimento populacional não é apenas um desafio, mas também uma oportunidade para repensar políticas públicas, mercado de trabalho e o papel do cuidado na sociedade. O Brasil está diante de uma transformação que exige investimentos em formação, regulamentação e valorização dos cuidadores de idosos.

Essa profissão, muitas vezes invisível, está ganhando o reconhecimento que merece, garantindo dignidade tanto para quem cuida quanto para quem é cuidado.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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