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A desigualdade de gênero e seus impactos socioeconômicos

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A população brasileira conta com uma maioria feminina, superando os homens em 6 milhões de pessoas. Além disso, pela primeira vez, as mulheres lideram quase metade dos lares do país (49,1%), segundo o Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses dados reforçam o avanço das mulheres na conquista de espaço e no desempenho de papéis cada vez mais significativos na sociedade.

Mulheres enfrentando desafios socioeconômicos causados pela desigualdade de gênero.
Entenda como a desigualdade de gênero afeta economia, mercado de trabalho e política, e os desafios para alcançar a equidade no Brasil |Foto: Reprodução/Freepik

O relatório mais recente da ONU Mulheres, intitulado Progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: O Panorama de Gênero 2024, destaca que atualmente as mulheres ocupam uma em cada quatro cadeiras parlamentares globalmente, e que menos de 10% da população feminina e infantil vive em extrema pobreza. Contudo, obstáculos expressivos ainda dificultam mudanças profundas e sustentáveis.

“Conforme a ONU, no ritmo atual, só haverá equidade de gênero nos parlamentos em 2063, e a erradicação da pobreza para todas as mulheres e meninas levará cerca de 137 anos” afirma Rebecca Tavares, CEO da BrazilFoundation

No campo laboral, o relatório Women in Work Index, da empresa de consultoria de mercado PwC, indica que, nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por países que se reúnem para discutir políticas econômicas e sociais, seriam necessários mais de 50 anos para eliminar a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

No Brasil, o estudo Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, do IBGE, evidencia um desafio significativo em economias em desenvolvimento: o tempo dedicado pelas mulheres aos cuidados com outras pessoas e às tarefas domésticas.

Em 2022, as brasileiras gastaram quase o dobro de horas semanais nessas atividades comparadas aos homens: 21,3 contra 11,7 horas. Mulheres pretas ou pardas dedicaram 1,6 hora a mais do que as brancas. Essa sobrecarga compromete oportunidades de educação, descanso e saúde física e mental.

Outro dado alarmante reforça a vulnerabilidade feminina: no último ano, a cada seis horas, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil. Além disso, mudanças climáticas e desastres naturais tendem a agravar a situação, colocando as mulheres em maior risco de deslocamento, pobreza e fome, devido às desvantagens estruturais que enfrentam.

Iniciativas de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e empresas socialmente responsáveis mostram que é possível promover a autonomia de mulheres e meninas por meio de projetos de qualificação profissional, campanhas de conscientização, prevenção da violência de gênero e monitoramento de políticas públicas.

Essa transformação deve começar na educação básica, avançar até o mercado de trabalho e incluir temas como saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

Nesse contexto, o Fundo de Equidade de Gênero, criado pela BrazilFoundation em 2022, beneficiou mais de 7 mil pessoas ao apoiar nove OSCs brasileiras com R$ 1,25 milhão. As ações incluíram capacitação profissional, formação em direitos humanos, treinamento de profissionais da saúde em saúde sexual e reprodutiva e suporte a mulheres e meninas em situação de violência.

Garantindo acesso à educação, saúde e segurança, as mulheres e meninas, assim como a população LGBTQIA+, poderão exercer plenamente sua cidadania. Somente assim será possível alcançar uma sociedade em que mulheres e homens compartilhem oportunidades de forma equilibrada, sem desigualdades estruturais.

Economia

As mulheres no Brasil ainda enfrentam uma significativa desigualdade salarial em relação aos homens. Em média, recebem 19,4% menos, sendo que essa disparidade se agrava em posições de maior responsabilidade, como cargos de gerência e direção. Essa diferença salarial não apenas reflete desigualdades estruturais, mas também limita o acesso feminino a recursos e oportunidades, perpetuando barreiras econômicas para a equidade de gênero.

Parlamento

O Brasil está entre os países com maior desigualdade de gênero no parlamento. Em 2020, apenas 14,8% dos deputados eram mulheres, enquanto no nível municipal as vereadoras representavam 16% do total, e os ministérios tinham somente 7,1% de mulheres entre os ministros. Esses números revelam a sub-representação feminina em espaços de poder e decisão, dificultando avanços na formulação de políticas públicas que contemplem as demandas de gênero.

Ocupação

A presença feminina no mercado de trabalho é impactada negativamente pela maternidade e responsabilidades familiares. Em lares com crianças de até 3 anos, as mulheres apresentam níveis significativamente mais baixos de ocupação. Essa realidade reflete a falta de políticas públicas que incentivem a divisão equitativa de responsabilidades parentais e ofereçam suporte adequado, como creches acessíveis e licenças parentais.

Tempo de trabalho

As mulheres brasileiras dedicam, em média, quase o dobro do tempo semanal aos cuidados domésticos e/ou afazeres em comparação aos homens. Em 2022, esse número chegou a 21,3 horas por semana, contra 11,7 horas no caso masculino. Esse desequilíbrio reflete a sobrecarga da dupla jornada feminina, limitando sua disponibilidade para atividades como educação, lazer e desenvolvimento pessoal ou profissional.

Ranking global

No ranking de desigualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa o 94º lugar, uma das piores posições da América Latina e Caribe. Esse dado destaca a necessidade de ações mais efetivas para reduzir as desigualdades em áreas como economia, política, educação e saúde, a fim de promover uma sociedade mais justa e igualitária.

Sobre a BrazilFoundation

A BrazilFoundation é uma organização sem fins lucrativos criada em 2000 com o objetivo de mobilizar recursos e promover iniciativas sociais que impulsionem a transformação em comunidades no Brasil. Com sede em Nova York e escritórios no Brasil, a fundação atua como um elo entre doadores e projetos que promovem equidade, justiça social e desenvolvimento sustentável.

A fundação já apoiou mais de 700 projetos em todas as regiões do Brasil, nas áreas de educação, saúde, cultura, direitos humanos e desenvolvimento socioeconômico, impactando diretamente milhares de pessoas. Por meio de parcerias com organizações locais, a BrazilFoundation busca fortalecer lideranças comunitárias e ampliar o impacto de suas ações.

Além do trabalho direto com projetos sociais, a organização realiza eventos de captação de recursos, como o tradicional baile de gala em Nova York, que reúne empresários, artistas e filantropos em prol das causas que apoia. A fundação é reconhecida por sua transparência e eficácia no uso dos recursos, consolidando-se como uma das principais plataformas para investimento social no Brasil.

Leia mais: 34% das mulheres lideram lares, contra 25% que ocupa papel de esposa, diz censo

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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