O Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançou um novo edital chamado Desafio IA Natureza & Clima, com o objetivo de incentivar o uso de tecnologias digitais, especialmente a inteligência artificial (IA), em soluções que contribuam para o combate às mudanças climáticas e à preservação do meio ambiente.
O foco da iniciativa é promover o desenvolvimento de ferramentas e projetos que atuem diretamente na mitigação da emissão de gases de efeito estufa, na conservação da biodiversidade e no fortalecimento da resiliência dos ecossistemas brasileiros diante das pressões ambientais.
Esse edital surge como uma proposta concreta para aproximar tecnologia e sustentabilidade, reconhecendo o potencial da IA e de outros recursos digitais como instrumentos valiosos na construção de um futuro mais verde e equilibrado. A ideia é que, ao aplicar essas tecnologias de forma criativa e eficaz, seja possível encontrar caminhos inovadores para lidar com os desafios ambientais mais urgentes do país.

Com o apoio do Google.org, braço filantrópico do Google, que destinou uma doação no valor de R$ 18 milhões, o iCS irá selecionar até nove projetos para serem financiados. Esses projetos deverão propor soluções ligadas à preservação da natureza e à luta contra a crise climática. Podem se inscrever organizações e entidades privadas sem fins lucrativos, bem como universidades, institutos e centros de pesquisa, desde que também não tenham fins lucrativos.
O edital está centrado em três pilares fundamentais: agricultura regenerativa, bioeconomia e reversão da perda de biodiversidade no Brasil. Essas áreas foram escolhidas por sua relevância estratégica no contexto das metas climáticas nacionais e internacionais, além de oferecerem grande potencial de transformação ambiental, social e econômica. A iniciativa conta ainda com o suporte técnico do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), parceiro que oferece conhecimento especializado em inovação tecnológica e digital.
Cada projeto selecionado poderá receber um aporte mínimo de R$ 1,8 milhão para o seu desenvolvimento. As inscrições estão abertas até o dia 22 de abril, e os interessados podem acessar o edital, que foi lançado oficialmente no dia 11 de março, e preencher o formulário de inscrição clicando aqui.
Regras de inscrição e participação
Segundo as regras estabelecidas no edital, cada organização proponente pode apresentar apenas um projeto para a seleção. No entanto, há uma exceção importante no caso das universidades: nesse contexto, cada laboratório ou departamento pode ser considerado como uma unidade independente. Isso significa que uma mesma universidade poderá inscrever mais de um projeto, desde que eles sejam submetidos por departamentos ou laboratórios distintos.
Já para as demais instituições (como ONGs, institutos e centros de pesquisa), será considerado apenas o último projeto submetido, caso uma organização envie mais de uma proposta. Essa medida visa garantir a diversidade de propostas e incentivar que cada entidade priorize sua ideia mais relevante e bem estruturada.
A diretora executiva do iCS, Maria Neo, afirmou em nota que é necessário aproveitar as soluções tecnológicas disponíveis e fomentar a inovação em novas possibilidades, especialmente considerando a urgência crescente da agenda climática. Segundo ela, a inteligência artificial pode e deve ser usada como aliada nesse processo. Ela explicou que, com o edital, o iCS pretende apresentar soluções concretas e que possam ser aplicadas em larga escala nas áreas de agricultura regenerativa, bioeconomia e conservação e restauração florestal no Brasil.
Processo de seleção
O processo de escolha dos projetos será dividido em quatro etapas principais. A primeira consiste na triagem técnica e legal das propostas. Em seguida, haverá uma pré-seleção feita por um júri especializado, que escolherá entre 14 a 21 projetos. Esses projetos passarão por uma fase de mentoria com duração de quatro semanas, durante a qual os proponentes terão a oportunidade de aprimorar suas ideias com apoio técnico e estratégico.
Após essa mentoria, haverá a seleção final, em que o júri escolherá entre cinco a sete projetos para receber o financiamento. Além disso, o iCS se reserva o direito de selecionar diretamente dois projetos adicionais, sem passar pela fase de mentoria, totalizando assim os nove projetos apoiados.
A divulgação dos projetos pré-selecionados será feita até o dia 12 de junho, e a lista final dos projetos aprovados será anunciada no dia 26 de setembro.
A iniciativa tem chamado atenção também pela magnitude do investimento. Segundo o iCS, essa é a maior doação já feita pelo Google.org voltada a projetos de sustentabilidade na América Latina. A diretora de Marketing do Google no Brasil, Maia Mau, destacou que a tecnologia tem um grande potencial para acelerar soluções climáticas e promover o uso sustentável dos recursos naturais.
Segundo ela, com o apoio do Google.org, a expectativa é incentivar projetos que combinem inovação com impacto ambiental positivo, respondendo a desafios como a conservação da biodiversidade e o avanço da agricultura regenerativa. Ela também demonstrou entusiasmo em acompanhar a iniciativa e observar como os projetos selecionados poderão transformar essas áreas e gerar benefícios duradouros para o Brasil e o mundo.
Pilares estratégicos
O edital do iCS foi criado com três pilares principais, escolhidos por sua importância para o clima no Brasil e por seu potencial de gerar grandes impactos positivos. Veja um resumo de cada um:
Proteção da biodiversidade
O Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. No entanto, 7 milhões de hectares que estão se regenerando naturalmente podem ser desmatados. Proteger essas áreas é essencial, pois pode gerar mais de 5 milhões de empregos, retirar 4,3 bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera e movimentar cerca de R$ 776,5 bilhões na economia. A tecnologia pode ajudar a tornar essa meta mais viável.
Bioeconomia
A bioeconomia propõe que a natureza seja usada para impulsionar o desenvolvimento econômico, mas de forma sustentável e responsável. Essa ideia combina geração de renda, inovação e preservação ambiental. Estima-se que investimentos nessa área possam criar 833 mil empregos até 2050 e ajudar a conservar mais de 81 milhões de hectares de florestas. Esse modelo pode ser uma solução para o crescimento sustentável da Amazônia e de outras regiões ricas em biodiversidade.
Agricultura regenerativa
Esse tipo de agricultura busca recuperar o solo e os ecossistemas, tornando a produção mais eficiente e menos prejudicial ao meio ambiente. Além de aumentar a produtividade, pode reduzir em 25,7% as emissões de gases do efeito estufa até 2035. Outra vantagem é que transforma áreas degradadas em terras produtivas, evitando mais desmatamentos. Dessa forma, une ganhos econômicos e ambientais.
O iCS destaca que o uso de inteligência artificial e outras tecnologias pode ser essencial para alcançar essas metas. Acredita-se que essas ferramentas ajudarão o Brasil a reduzir suas emissões de gases poluentes — 66% até 2030 e zerar até 2050 —, garantindo também benefícios para comunidades e agricultores que dependem diretamente da terra.
Sobre o iCS
O Instituto Clima e Sociedade (iCS) é uma organização filantrópica sem fins lucrativos que atua no enfrentamento das mudanças climáticas no Brasil, utilizando uma abordagem multidisciplinar e estratégica. Sua atuação inclui o apoio institucional e financeiro a outras organizações da sociedade civil, a promoção de pesquisas técnicas e científicas, bem como a formação de redes e capacitação de profissionais nos mais diversos setores econômicos. O iCS se propõe a ser uma ponte entre conhecimento, inovação e ação climática, impulsionando políticas e práticas que contribuam para um Brasil mais justo, verde e resiliente.
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