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Bill Gates promete doar quase toda a fortuna até 2045

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O empresário e filantropo Bill Gates anunciou nesta quinta-feira, 8 de maio, que pretende doar a maior parte de sua fortuna pessoal nos próximos vinte anos. O montante, estimado em cerca de US$ 200 bilhões (equivalente a R$ 1,1 trilhão), será destinado aos mais pobres do mundo por meio da Fundação Bill e Melinda Gates, em um contexto global de retração da ajuda internacional por parte de governos.

Bill Gates anuncia doação de fortuna até 2045
Em entrevista ao Financial Times, Gates criticou o governo Trump por cortes que enfraqueceram a Usaid, afetando programas de vacinação e ajuda alimentar|Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O cofundador da Microsoft, de 69 anos, também afirmou que a fundação será encerrada em 31 de dezembro de 2045, após aplicar aproximadamente 99% de seus recursos. Criada em 2000 por Gates e sua então esposa Melinda French Gates, a instituição já doou US$ 100 bilhões (cerca de R$ 566 bilhões) desde sua fundação, segundo o empresário.

“Existem problemas urgentes demais para eu manter recursos que poderiam ser usados para ajudar outras pessoas”, escreveu Gates em uma publicação em seu site. “As pessoas dirão muitas coisas sobre mim quando eu morrer, mas estou determinado que ‘ele morreu rico’ não será uma delas.”

Críticas aos cortes na ajuda internacional

O anúncio ocorre no 25º aniversário da fundação e acompanha uma crítica indireta a países que vêm reduzindo seu apoio à cooperação internacional, como os Estados Unidos, Reino Unido e França. Embora não tenha citado nomes diretamente, Gates mencionou que não está claro se as nações mais ricas continuarão a apoiar as mais pobres, e destacou a importância de investimentos para prevenir mortes por causas evitáveis e erradicar doenças como poliomielite, malária e sarampo.

A fundação, que terá um orçamento anual de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 50,94 bilhões) até 2026, é uma das principais financiadoras de saúde pública no mundo, com atuação em programas como o grupo de vacinas Gavi e o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Mesmo com seu orçamento bilionário, Gates reforçou que o progresso depende do engajamento governamental, especialmente dos Estados Unidos.

O empresário elogiou a resposta de países africanos que, diante da redução de ajuda externa, remanejaram recursos para manter projetos de saúde. No entanto, ele alertou que iniciativas como a erradicação da poliomielite não serão viáveis sem o financiamento norte-americano.

Conflito com Elon Musk e apelo à filantropia

Em entrevista ao Financial Times, Gates também fez críticas diretas à atuação do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump. Ele apontou que cortes realizados sob a liderança de Elon Musk, à frente do Departamento de Eficiência Governamental, impactaram severamente a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), responsável por financiar programas de vacinação e assistência alimentar em regiões vulneráveis.

“A imagem do homem mais rico do mundo matando as crianças mais pobres do mundo não é bonita”, declarou Gates, em referência a Musk. O empresário expressou preocupação com o desmonte da ajuda humanitária e destacou que a filantropia privada, por mais robusta que seja, não substitui a cooperação internacional estruturada.

Apesar de sua atuação no campo da saúde e desenvolvimento, a Fundação Gates tem sido alvo de críticas devido ao seu grau de influência em decisões de organismos multilaterais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e à ausência de mecanismos mais transparentes de prestação de contas. O próprio Gates também foi alvo de teorias da conspiração, principalmente durante a pandemia de Covid-19.

Em suas recentes declarações, Gates também fez um apelo público para que outras pessoas com grandes fortunas considerem ampliar o ritmo e a escala de suas doações. “É uma maneira profundamente impactante de retribuir à sociedade”, afirmou.

O valor final que será disponibilizado pela fundação até 2045 ainda dependerá de fatores como desempenho dos mercados e inflação. A decisão de encerrar a instituição nesse prazo representa uma mudança significativa: originalmente, os fundadores planejavam que a fundação continuasse operando por décadas após suas mortes.

Ao relembrar o início de sua trajetória empresarial, Gates afirmou que percorreu um longo caminho desde que fundou a Microsoft com um colega da escola. Agora, segundo ele, a missão é garantir que a riqueza acumulada possa gerar benefícios duradouros para milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade ao redor do mundo.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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