IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Cerca de 295,3 milhões de pessoas enfrentaram fome aguda em 2024

Por

·

Pelo sexto ano consecutivo, o número de pessoas afetadas por altos níveis de insegurança alimentar cresceu, alcançando um novo recorde em 2024. Segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares (GRFC, na sigla em inglês), divulgado nesta sexta-feira, 16 de maio, aproximadamente 295,3 milhões de pessoas em 53 países enfrentaram fome aguda no ano — o maior número desde que o relatório começou a ser produzido, em 2016. A tendência, segundo o documento, deve continuar em 2025, impulsionada por conflitos armados, mudanças climáticas e cortes na ajuda humanitária internacional.

 fome
A combinação entre conflitos prolongados, instabilidade climática e declínio no financiamento internacional pode ampliar ainda mais a crise alimentar global |Foto: Reprodução/Canva

O estudo, elaborado em parceria com agências da Organização das Nações Unidas (ONU), União Europeia, Banco Mundial e outras instituições globais, revela que 22,6% da população analisada vive em níveis críticos de insegurança alimentar. Dentre esse grupo, cerca de 1,9 milhão de pessoas estiveram à beira da fome — o estágio mais severo da classificação da crise, caracterizado por níveis catastróficos de escassez de alimentos.

Sudão e Gaza lideram ranking da fome extrema

As regiões mais afetadas em 2024 foram o Sudão e a Faixa de Gaza. No Sudão, o agravamento da guerra civil fez com que mais de 24 milhões de pessoas entrassem em situação de insegurança alimentar aguda, levando à declaração oficial de estado de fome. Já na Faixa de Gaza, a situação se deteriorou ainda mais após o colapso do cessar-fogo de dois meses e o fechamento total das passagens de entrada, em março. O relatório destaca que o bloqueio restringiu severamente o acesso a alimentos para a população local.

Também enfrentaram situações críticas países como Mali, Haiti e Sudão do Sul. Segundo a Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), o número de pessoas em estado crônico de fome mais que dobrou no último ano. Mais de 95% dos casos mais severos foram registrados em Gaza e no Sudão, embora os outros três países também tenham apresentado índices alarmantes.

— Estamos falando de uma escassez extrema de alimentos, de um esgotamento completo dos mecanismos de resistência e de sobrevivência — declarou, em nota, Rein Paulsen, diretor do escritório de emergências e de resiliência da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Causas estruturais: conflitos, clima e economia

O relatório aponta que os conflitos armados e a violência foram os principais vetores da crise alimentar em 2024, afetando cerca de 140 milhões de pessoas em 20 países. A instabilidade geopolítica tem forçado o deslocamento de populações e impedido o funcionamento de sistemas agrícolas e cadeias de abastecimento locais.

Além dos conflitos, os eventos climáticos extremos ligados às mudanças climáticas agravaram o quadro em pelo menos 18 países. O sul da África enfrentou secas prolongadas, enquanto inundações severas atingiram regiões de Bangladesh e da Nigéria, causando perdas agrícolas significativas e escassez de alimentos.

Fatores econômicos também exerceram forte pressão. Segundo o documento, “choques econômicos” como desvalorizações cambiais, inflação de alimentos e aumento de tarifas estão dificultando o acesso das populações vulneráveis à alimentação. O relatório também aponta que o financiamento internacional para ações humanitárias está em queda. A saída dos Estados Unidos, até então o maior doador mundial, contribuiu para a redução dos recursos disponíveis.

Avanços pontuais e desafios persistentes

Apesar do cenário preocupante, o relatório destaca progressos isolados. No Afeganistão, por exemplo, houve uma redução de cerca de três milhões no número de pessoas em situação de insegurança alimentar nos últimos três anos. Segundo Paulsen, essa melhora se deve, em parte, à assistência concedida a agricultores locais, que puderam retomar a produção de alimentos.

No entanto, o avanço em algumas regiões foi ofuscado pela deterioração em outras. “A fome e a desnutrição se propagam de maneira mais rápida que a nossa capacidade de resposta, enquanto um terço dos alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no prefácio do relatório.

Para 2025, as perspectivas continuam alarmantes. A combinação entre conflitos prolongados, instabilidade climática e declínio no financiamento internacional pode ampliar ainda mais a crise alimentar global, impactando milhões de pessoas nos próximos meses.

Leia também: Os 4 alertas de Bill Gates sobre o futuro da humanidade

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade