Na última quinta-feira, 8 de maio, Bill Gates, cofundador da Microsoft e um dos maiores filantropos do mundo, reiterou sua intenção de doar quase toda a sua fortuna e encerrar as atividades da Fundação Bill e Melinda Gates até 2045. A fundação, criada por Gates e sua ex-esposa, Melinda French Gates, tem sido uma das maiores iniciativas filantrópicas do mundo desde sua fundação em 2000, com a missão de combater a pobreza e melhorar as condições de saúde em diversas regiões do planeta.

Desde o início da fundação, Bill e Melinda destinaram uma quantidade significativa de sua riqueza para causas sociais. Até o momento, o casal já contribuiu com US$ 60,2 bilhões (aproximadamente R$ 343,1 bilhões) para a fundação, consolidando-se como o segundo maior filantropo dos Estados Unidos. Apesar de suas generosas doações, eles permanecem entre as pessoas mais ricas do mundo, com fortunas estimadas em US$ 113 bilhões (R$ 644,1 bilhões) para Bill e US$ 30,4 bilhões (R$ 173,3 bilhões) para Melinda.
O que teria acontecido se Bill e Melinda não tivessem se dedicado à filantropia?
Contudo, uma análise hipotética sobre o que aconteceria se Bill e Melinda nunca tivessem se envolvido em atividades filantrópicas oferece uma perspectiva interessante. Se tivessem mantido suas ações da Microsoft e não tivessem feito doações, a fortuna conjunta do casal poderia ultrapassar US$ 1,5 trilhão (R$ 8,55 trilhões), com Bill alcançando possivelmente a marca de primeiro trilionário do mundo, com US$ 1,2 trilhão (R$ 6,84 trilhões). Em comparação, isso representaria mais do que o triplo da fortuna do atual homem mais rico do mundo, Elon Musk, que tem um patrimônio estimado de US$ 388 bilhões (R$ 2,21 trilhões).
Para entender como isso seria possível, é preciso olhar para o histórico de ações da Microsoft. Antes da oferta pública inicial (IPO) da empresa em 1986, Bill Gates possuía uma participação de 49% na Microsoft, que na época valia cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,14 bilhão). Se ele tivesse mantido essa participação ao longo dos anos, hoje teria uma fatia de 43% da empresa, equivalente a 3,2 bilhões de ações, com valor de mercado estimado em US$ 1,4 trilhão (R$ 7,98 trilhões). Além disso, estima-se que Bill e Melinda teriam aproximadamente US$ 100 bilhões (R$ 570 bilhões) em caixa, provenientes de dividendos líquidos, valor que sozinho é superior ao patrimônio total de todos os bilionários, exceto 18 deles.
A continuidade da filantropia e os novos projetos
Na realidade, Bill Gates e Melinda French Gates tomaram caminhos diferentes ao longo dos anos. Bill, ao longo do tempo, foi vendendo e doando suas ações da Microsoft, e atualmente sua participação na empresa é de cerca de 0,9%, avaliada em US$ 28 bilhões (R$ 159,6 bilhões). Por sua vez, Melinda mantém cerca de 380 mil ações da empresa, avaliadas em aproximadamente US$ 170 milhões (R$ 969 milhões).
A Fundação Gates tem sido um motor essencial de suas atividades filantrópicas, com grande parte dos recursos direcionados a projetos de saúde e combate à pobreza. Desde sua criação, a fundação já distribuiu US$ 47,7 bilhões (R$ 271,9 bilhões), sendo uma das maiores doações já realizadas por indivíduos ou famílias. A filantropia de Gates é comparada à de Warren Buffett, que doou cerca de US$ 62 bilhões (R$ 353,4 bilhões), e muito desse valor foi destinado à Fundação Gates.
O próprio Buffett, em 2023, revelou que seus filhos serão os únicos beneficiários de sua herança, e que a Fundação Gates não receberá mais dinheiro após sua morte. Melinda, por sua vez, tem reformulado seus planos filantrópicos. Em 2022, ela fundou a Pivotal Philanthropies, e, ao longo dos últimos anos, se comprometeu a doar US$ 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) para apoiar os direitos das mulheres e meninas, além de anunciar a doação de US$ 12,5 bilhões (R$ 71,25 bilhões) para ações filantrópicas em sua nova fundação.
Tanto Bill quanto Melinda continuam a apoiar a iniciativa Giving Pledge, que incentivam outros bilionários a se comprometerem a doar pelo menos metade de sua fortuna durante a vida ou por testamento. A declaração de Bill Gates sobre o Giving Pledge reflete seu compromisso com a filantropia: “Quando chegou a hora de decidir o que fazer com a fortuna que construí com a Microsoft, eu sabia que precisava seguir o exemplo [de meus pais] e ajudar o maior número de pessoas possível”, escreveu.
Melinda, em sua carta, expressou uma visão crítica sobre a concentração de riqueza: “Reconheço o absurdo de tanta riqueza estar concentrada nas mãos de uma só pessoa, e acredito que a única coisa responsável a se fazer com uma fortuna desse tamanho é doá-la — da forma mais cuidadosa e impactante possível.”
Com seus compromissos filantrópicos, Bill e Melinda continuam a impactar o mundo de maneiras significativas. Porém, com os planos de Bill de doar a maior parte de sua fortuna até 2045, a Fundação Gates está se preparando para um novo capítulo, que poderá reconfigurar o panorama filantrópico global.
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