Piora das expectativas
As expectativas do mercado em relação à inflação pioraram nas últimas semanas devido à valorização do câmbio, causada pelas propostas fiscais e pela isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
O dólar está sendo negociado acima de R$ 6 desde o início do mês, atingindo os maiores valores desde o lançamento do Plano Real, em 1994.
A pressão da alta do câmbio resultou em revisões para pior nas previsões de inflação, com estimativas indicando que o índice pode ultrapassar o limite máximo tanto este ano quanto no próximo.
O Banco Central visa uma meta de 3% para a inflação, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
Para este ano, o mercado projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,84%, enquanto para 2025, espera-se que o índice seja de 4,59%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta semana.
No cenário internacional, o impacto nos índices foi causado pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e pelas expectativas de que medidas inflacionárias dificultem a redução das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Dólar causa alta no preço dos alimentos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,39% em novembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (10). Economistas apontam que a pressão sobre os preços, puxada pelo grupo Alimentação e Bebidas, deve persistir em dezembro.
Em novembro, o grupo Alimentação e Bebidas subiu 1,55%, com destaque para o aumento nos preços das carnes, que avançaram 8,02%. Segundo André Braz, economista do Ibre/FGV, os números de dezembro devem seguir a tendência apresentada. “O grupo de Alimentação continuará pressionado, influenciado pelo ciclo agropecuário e pela desvalorização cambial, além do aumento sazonal do consumo”, afirmou.
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