Lula defende início de negociações para acordo entre Mercosul e Japão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua viagem ao Japão nesta quinta-feira, 27 de março, trazendo avanços significativos nas negociações comerciais entre o Mercosul e o Japão. Segundo Lula, as tratativas devem ganhar impulso já no próximo semestre, quando o Brasil assumirá a presidência do bloco.
“Espero lançar negociações de um acordo comercial com o Japão durante a presidência brasileira do Mercosul no próximo semestre”, afirmou o presidente ao final de seu encontro com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba.
Atualmente, a presidência do Mercosul está sob o comando da Argentina, mas a partir de julho caberá ao Brasil conduzir as pautas do bloco. O governo brasileiro pretende acelerar a formalização de novos acordos comerciais, especialmente após a recente conclusão das negociações entre o Mercosul e a União Europeia, firmadas em dezembro do ano passado.
O primeiro-ministro japonês também ressaltou a relevância desse avanço nas relações econômicas entre o Japão e o Mercosul. “O Mercosul é um grande parceiro econômico para o Japão. Ratificamos nesta ocasião nosso forte desejo de levar as relações Japão-Mercosul a patamares ainda maiores”, declarou Ishiba.
Além disso, o Japão e o Brasil devem liderar a criação de uma estrutura de parceria entre o Japão e o Mercosul, aprofundando as discussões sobre o fortalecimento dos laços comerciais. Segundo Eduardo Sabóia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, até o momento as conversas entre Japão e Mercosul não haviam se traduzido em uma negociação formal, mas esse cenário pode mudar com essa nova movimentação diplomática.
Durante um fórum empresarial realizado durante a visita, empresários brasileiros e japoneses entregaram às autoridades dos dois países uma carta solicitando celeridade nas negociações, reforçando o interesse mútuo por um acordo comercial.
Além das tratativas com o Japão, Lula também pretende avançar nas negociações com o Vietnã. Na segunda etapa de sua viagem pela Ásia, que começa nesta quinta-feira, o presidente discutirá o acordo comercial com os vietnamitas, cujas negociações estavam estagnadas desde 2021.
Lula também enfatizou a importância do multilateralismo e afirmou que esse será um dos temas centrais da cúpula do BRICS, que será sediada pelo Brasil em julho. Segundo ele, os países precisam se unir em prol dos “interesses comuns da humanidade”.
“O mundo atravessa uma situação política difícil, uma situação econômica complicada e muita insensibilidade na relação política entre os Estados. Estamos vendo países que simbolizavam a ação democrática sofrendo risco de desestabilização pela extrema-direita”, alertou o presidente.


