O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai ampliar o apoio a iniciativas sociais e ambientais realizadas em favelas e comunidades de diversas regiões do Brasil. Na terça-feira, 22 de abril, em São Paulo, o banco anunciou um orçamento de R$ 135 milhões para novos editais e para o lançamento de duas novas vertentes do programa BNDES Periferias.
Entre as principais novidades está a abertura de dois editais voltados à seleção de parceiros que irão executar o BNDES Periferias Fortes, com foco no fortalecimento de organizações sociais atuantes em comunidades das regiões Norte e Nordeste. Cada edital contará com um investimento de R$ 17,5 milhões.

Outra frente anunciada destina R$ 50 milhões à nova vertente BNDES Periferias Verdes, voltada para projetos de preservação, recuperação e conservação ambiental. A proposta busca promover a inclusão produtiva das comunidades por meio de iniciativas como economia circular, agricultura urbana e adaptação às mudanças climáticas. Essa linha integra a terceira chamada do programa, cujas inscrições seguem abertas até 30 de maio.
Além disso, outros R$ 50 milhões serão alocados às ações Polos BNDES Periferias e BNDES Periferias Empreendedoras. Nesta nova fase, será implementada uma mudança significativa: a exigência de contrapartida para entidades sem fins lucrativos e sem acesso a recursos regulares será reduzida de 50% para 10%.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que durante o anúncio da iniciativa, que o banco está concluindo a seleção das duas primeiras chamadas do programa e lançando agora a terceira. Ela apontou como principal inovação a criação da vertente BNDES Periferias Verdes, que incorpora uma agenda climática robusta, com ações que vão desde hortas comunitárias até iniciativas voltadas à adaptação às mudanças do clima. Tereza também ressaltou que, com esse programa, o banco mostra disposição em inovar e ampliar sua atuação, tradicionalmente associada ao setor industrial e à inovação, para alcançar também as periferias.
Durante o lançamento, o secretário Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, Guilherme Simões, apresentou dados do IBGE e do DataFavela. Ele destacou que aproximadamente metade dos 16 milhões de brasileiros que vivem em favelas se considera empreendedora, embora grande parte deles não tenha registro formal.
Para ele, esses dados revelam o potencial econômico dessas regiões, que ainda é pouco explorado. Simões afirmou que ações como a do BNDES vão além do caráter reparador, representando também um reconhecimento da importância econômica, política e cultural das periferias. Segundo sua avaliação, essas medidas expressam uma visão estratégica e realista sobre o papel desses territórios no desenvolvimento do Brasil.
José Geraldo de Paula Pinto, tesoureiro da União dos Núcleos, Associação dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas), elogiou a iniciativa do BNDES e observou que ela pode inspirar instituições financeiras privadas. Ele avaliou que a ação já contribui para estimular um debate necessário e tem potencial para se desenvolver ainda mais. Embora considere desafiador conseguir contrapartidas do setor privado, acredita que esse é um avanço importante. José Geraldo também reforçou que é essencial garantir a participação direta dos moradores nos projetos, pois, em sua visão, quando os recursos chegam às mãos dos mais pobres, eles sabem como utilizá-los de maneira eficaz.


