A presidente do México, Claudia Sheinbaum, destacou nesta quinta-feira, 24 de abril, o papel estratégico do Brasil na indústria de aeronaves e expressou o desejo de que o país se torne um parceiro-chave na expansão do setor aeroespacial latino-americano.
A declaração foi feita durante a tradicional coletiva “Mañanera del Pueblo” e sinaliza uma nova fase nas relações entre México e Brasil, especialmente em um setor de alta tecnologia e importância econômica crescente para ambas as nações envolvidas.
Segundo Sheinbaum, quando Marcelo Ebrard era chanceler do governo de Andrés Manuel López Obrador, o México iniciou conversas com diversos países da América Latina para a criação de uma agência regional voltada ao setor aeroespacial. No entanto, o Brasil não participou da iniciativa na época.

Agora, com novas perspectivas e prioridades políticas, Sheinbaum reforça o convite para que o país integre esse esforço conjunto, destacando que o Brasil é uma “potência no setor de aeronaves”. A fala da presidente reconhece a relevância brasileira no cenário global da aviação, principalmente por meio da atuação da Embraer, gigante brasileira do setor, reconhecida mundialmente por sua inovação tecnológica.
O timing da declaração é simbólico e estratégico: no mesmo dia, a Embraer oficializou sua entrada na Federação da Indústria Aeroespacial do México (Femia), durante a Famex 2025, uma das principais feiras da indústria aeroespacial da América Latina. A adesão da Embraer ao grupo é um movimento que reforça o interesse mútuo em aprofundar a cooperação tecnológica e industrial entre os dois países.
Com mais de quatro décadas de presença no mercado mexicano, a Embraer já conta com uma frota de mais de 100 aeronaves em operação no México. Essa longa trajetória confere à empresa uma posição privilegiada para fortalecer ainda mais a presença brasileira no setor aeroespacial da região. A entrada na Femia não só reconhece esse histórico, como também sinaliza uma intenção clara de expansão e integração industrial com foco em inovação, sustentabilidade, competitividade global e avanço científico-tecnológico compartilhado.
Luis Lizcano, presidente da Femia, ressaltou a importância da filiação da Embraer ao grupo, apontando que o movimento representa “importantes oportunidades de colaboração no desenvolvimento do setor no México”. A cooperação entre os dois países pode envolver desde a fabricação e manutenção de aeronaves até o intercâmbio de conhecimento técnico, capacitação de mão de obra qualificada e inovação em engenharia aeroespacial. Além disso, parcerias em pesquisa e desenvolvimento podem colocar a América Latina em posição de maior protagonismo no mercado global.


