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Os Brasis que coabitam a mesma moeda: entre a retórica da estabilidade e o supermercado da sobrevivência

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Mês do sobrevivente

Hoje, o Brasil vive não apenas a concentração de riqueza, mas a massificação da pobreza, que já se infiltra no emocional das famílias, transformando a luta por dignidade em uma guerra silenciosa. Fala-se em PIB (Produto Interno Bruto), inflação controlada, crescimento; mas a geladeira vazia segue sendo o indicador mais fiel da economia real.

E assim, o supermercado se torna uma casa de horrores. Um teatro onde o cidadão entra esperançoso e sai desfigurado — pela vergonha de não poder comprar, pela humilhação de ter que escolher entre o arroz e o afeto.

Enquanto a macroeconomia desfila em ternos alinhados, a microeconomia sangra em fila de caixa. Maio, que deveria ser o mês do trabalhador, tornou-se o mês do sobrevivente. E nesse cenário de contradições, urge uma reforma não apenas trabalhista, mas civilizatória — onde o trabalho volte a ser ponte para a vida, e não atalho para o abismo.

Sobre o autor Cloves Santos

Cloves Santos é contabilista, Formado em Marketing, com MBA em Finanças pela UFJF cursando Gestão Inovação Tecnológica. Ex-Diretor da Câmara Municipal de Juiz de Fora, foi agraciado com a Comenda Henrique Halfeld. Defensor do empreendedorismo sustentável, busca integrar inovação, responsabilidade social e consumo consciente para um futuro equilibrado e próspero.

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