Mês do sobrevivente
Hoje, o Brasil vive não apenas a concentração de riqueza, mas a massificação da pobreza, que já se infiltra no emocional das famílias, transformando a luta por dignidade em uma guerra silenciosa. Fala-se em PIB (Produto Interno Bruto), inflação controlada, crescimento; mas a geladeira vazia segue sendo o indicador mais fiel da economia real.
E assim, o supermercado se torna uma casa de horrores. Um teatro onde o cidadão entra esperançoso e sai desfigurado — pela vergonha de não poder comprar, pela humilhação de ter que escolher entre o arroz e o afeto.
Enquanto a macroeconomia desfila em ternos alinhados, a microeconomia sangra em fila de caixa. Maio, que deveria ser o mês do trabalhador, tornou-se o mês do sobrevivente. E nesse cenário de contradições, urge uma reforma não apenas trabalhista, mas civilizatória — onde o trabalho volte a ser ponte para a vida, e não atalho para o abismo.


