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Burnout custa caro — e não só no financeiro. Sua empresa está preparada?

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No último dia 22 de maio, a Folha de São Paulo publicou uma matéria revelando um aumento de 14,5% nas ações judiciais relacionadas ao burnout em 2025. Os números são alarmantes. Mas talvez o mais preocupante seja aquilo que os dados não capturam: esse crescimento representa apenas os casos que chegaram à Justiça — ou seja, o recorte dos profissionais que conseguiram, ou ousaram, transformar sofrimento em processo judicial.

Burnout, estafa, esgotamento, ansiedade, depressão... Os nomes variam, mas a consequência é a mesma: pessoas trabalhando além do limite, confundindo resiliência com autonegligência, comprometimento com abuso, superação com autossabotagem | Foto: Reprodução/Canva
Burnout, estafa, esgotamento, ansiedade, depressão… Os nomes variam, mas a consequência é a mesma: pessoas trabalhando além do limite, confundindo resiliência com autonegligência, comprometimento com abuso, superação com autossabotagem | Foto: Reprodução/Canva

Segundo a reportagem, cada processo relacionado ao burnout custa, em média, R$ 368.900 às empresas. Ao todo, os pedidos de indenização somam um passivo de R$ 3,75 bilhões — valor que escancara o quanto o adoecimento mental pode ser custoso para os negócios. E em todos os sentidos.

Existe uma máxima no universo corporativo: “Se você acha caro investir em pessoas, espere para ver quanto custa não investir.” A lógica se aplica diretamente à saúde mental. Considerar o bem-estar como um gasto supérfluo é ignorar o tamanho do prejuízo que a negligência pode causar.

E o impacto não se limita ao financeiro. O adoecimento afeta a cultura organizacional, a capacidade de atrair e reter talentos, a reputação da marca, o relacionamento com clientes e parceiros, e a produtividade de todo o time.

Como mencionei em artigo anterior, o relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, apontou que o engajamento global dos funcionários caiu de 23% em 2023 para 21% em 2024 — a segunda queda em 12 anos. Essa diminuição representa uma perda estimada de US$ 438 bilhões em produtividade para a economia mundial.

Atuação das lideranças

O mesmo estudo mostra que 70% da variação no engajamento das equipes está diretamente ligada à atuação das lideranças. No entanto, apenas 44% dos gestores receberam algum tipo de treinamento formal, evidenciando uma lacuna preocupante na preparação dos líderes para lidar com os desafios atuais. Outro dado que chama atenção: a taxa de pessoas que se declaram satisfeitas com a vida (“thriving”) caiu para 33% no mundo todo, sinalizando um declínio no bem-estar geral dos trabalhadores.

Vale reforçar: o burnout é um sintoma sistêmico. Raramente acontece de forma isolada. Onde há uma pessoa adoecida, é provável que exista uma equipe inteira em sofrimento — ainda que em silêncio. Algumas pessoas resistem mais. Outras conseguem pedir demissão. Algumas pedem ajuda. Outras são desligadas antes de qualquer denúncia. Mas em todos os cenários, a empresa acaba arcando com os custos — seja na Justiça do Trabalho, seja na queda de desempenho.

A NR-01 (Norma Regulamentadora sobre Gestão de Riscos Ocupacionais), por conta de acordos entre empresas e entidades sindicais, deve começar a ser exigida formalmente apenas em 2026. Isso pode dar tempo para as organizações estruturarem programas de atenção à saúde mental e culturas verdadeiramente humanizadas, com foco genuíno no bem-estar — e não em ações superficiais ou pontuais de “well-washing”. Mas esperar até lá é negligente. E, além de tudo, financeiramente arriscado.

É hora de agir. Em todos os setores: no audiovisual e nas agências de publicidade, onde os prazos atropelam o sono; no setor financeiro, onde metas se tornam muros de opressão; em escritórios de advocacia, hospitais, escolas… Em qualquer lugar onde houver gente trabalhando.

Porque o adoecimento não escolhe setor. O bem-estar não pode ser exceção. E a felicidade no trabalho não deve ser tratada como um luxo ou uma utopia — mas como uma prioridade.

Sobre o autor Rodrigo de Aquino

Comunicólogo, palestrante e consultor corporativo em felicidade e bem-estar, especialista em Psicologia Positiva e Desenvolvimento Humano. Apresenta o programa Diálogos Contemporâneos no WhE Play

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