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Entrada dos EUA em conflito pode elevar preços no mundo todo; entenda

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Possível bloqueio do Irã pode afetar todo o mundo

Atualmente, o barril do tipo Brent, que serve de referência no mercado internacional, está cotado em torno de US$ 77 (cerca de R$ 425). No entanto, analistas indicam que o valor pode ultrapassar US$ 100 (cerca de R$ 551), ou até atingir US$ 150 (cerca de R$ 827), caso o fornecimento global seja interrompido por tempo prolongado. Isso pressionaria a inflação em diversos países e criaria um efeito dominó sobre o custo de vida.

O petróleo é a base da produção de combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação. Se o preço do barril sobe, os combustíveis ficam mais caros. No Brasil, apesar de a Petrobras ter maior liberdade para definir seus preços com base em outros fatores, a tendência é de aumento. Uma elevação brusca no valor do barril pode gerar reajustes imediatos nas refinarias e, consequentemente, nos postos de combustível.

A alta nos combustíveis tem impacto direto no transporte de cargas e de passageiros. Caminhões que transportam alimentos, mercadorias e produtos industriais dependem do diesel. Ônibus e carros de aplicativos também sofrem com a alta da gasolina. Além disso, o frete aéreo, usado principalmente para produtos mais caros e importados, fica mais custoso com a elevação do querosene de aviação.

Com o transporte mais caro, o preço dos alimentos tende a subir. Produtos básicos como arroz, feijão, carne e hortaliças dependem do transporte rodoviário. Assim, qualquer aumento no custo do combustível impacta diretamente o valor cobrado nas prateleiras. O mesmo vale para itens de consumo geral, desde eletrodomésticos até vestuário.

Outro setor afetado é o da energia elétrica. Embora o Brasil use principalmente hidrelétricas, há usinas termelétricas movidas a óleo diesel ou gás natural. Se o preço do petróleo sobe, o custo de geração de energia nessas usinas também aumenta. Isso pode pressionar as tarifas de luz, especialmente em momentos de seca, quando as hidrelétricas produzem menos.

Os fertilizantes, amplamente usados na agricultura brasileira, também são influenciados pelos preços do petróleo e do gás natural, já que parte da matéria-prima usada em sua produção vem desses combustíveis. Com fertilizantes mais caros, o custo da produção agrícola sobe, o que reforça ainda mais a pressão sobre os alimentos.

Diante desse cenário, o Banco Central pode ter de rever sua política de juros. Atualmente, a autoridade monetária vinha cortando a taxa básica de juros (Selic) para estimular a economia. Mas um aumento de preços puxado pelo petróleo pode interromper esse processo e até levar a novos aumentos nos juros para conter a inflação, o que tornaria o crédito mais caro e dificultaria o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

A entrada dos Estados Unidos na guerra amplia significativamente o alcance e os impactos do conflito. O que antes era um confronto regional entre Israel e Irã passa a envolver a principal potência militar do mundo e ameaça o funcionamento de uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta. Com isso, os efeitos econômicos deixam de ser apenas locais e passam a atingir diretamente países distantes do conflito, como o Brasil.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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