Menor participação de jovens e impacto no mercado
Enquanto cresce a presença de pessoas acima dos 40 anos, os números da Pnad mostram que a proporção de jovens no mercado brasileiro vem diminuindo de forma consistente ao longo dos anos. O grupo de 25 a 39 anos, que ainda concentra boa parte da mão de obra, praticamente estagnou nos últimos 13 anos, registrando um aumento tímido de apenas 3,6%. Já o segmento de 18 a 24 anos encolheu 6%, e o de 14 a 17 anos caiu quase pela metade, indicando uma retração preocupante na renovação da força de trabalho.
Essa redução está diretamente relacionada à queda da taxa de natalidade no país, que gera menos jovens em idade de trabalhar, e também à maior permanência de adolescentes na escola, reflexo das políticas públicas de incentivo à educação.
As mudanças no perfil educacional, com destaque para o aumento do tempo de estudo entre meninas devido à queda nos casos de gravidez na adolescência, contribuem para adiar a entrada desse público no mercado, além de alterar expectativas profissionais e de carreira.
O resultado desse conjunto de fatores é um mercado em que os trabalhadores com 40 anos ou mais já se aproximam de metade do total de ocupados, consolidando uma transformação estrutural significativa.
Os dados indicam uma transição demográfica e econômica, na qual a base jovem diminui e a presença de pessoas mais velhas se torna cada vez mais determinante para o funcionamento das empresas e para o crescimento do país, exigindo adaptação das políticas de emprego, treinamento e produtividade.


