O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no dia 31 de julho uma ordem executiva que redefine as tarifas de importação sobre produtos de dezenas de países, com vigência a partir de 7 de agosto de 2025. Dentre os afetados, o Brasil foi o mais penalizado: a alíquota total aplicada será de 50%, composta por uma tarifa recíproca de 10% e uma sobretaxa adicional de 40%, segundo comunicado oficial da Casa Branca.
De acordo com Trump, as novas alíquotas foram definidas após recomendações de altos funcionários sobre a “falta de reciprocidade nas relações comerciais bilaterais” e o impacto de tarifas e barreiras não tarifárias que, segundo ele, prejudicam as exportações norte-americanas. Além disso, a decisão leva em consideração questões ligadas à segurança nacional e a posição de cada país nas negociações comerciais com os EUA.

Impacto das tarifas no Brasil
A medida contra o Brasil afeta aproximadamente 35% das exportações nacionais com destino ao mercado norte-americano. Segundo dados da Comex Stat, em 2024 o Brasil exportou cerca de US$ 37,4 bilhões para os Estados Unidos. Considerando a cota impactada pela nova tarifa, aproximadamente US$ 13 bilhões (R$ 70,2 bilhões, pela cotação média de R$ 5,40) em bens brasileiros sofrerão a incidência da tarifa total de 50%.
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Apesar da severidade, o Brasil também é o país com maior número de exceções: 694 itens ficarão isentos da nova taxa, entre eles metais, suco de laranja, aeronaves, petróleo e derivados. Ainda assim, a medida deve aumentar os custos logísticos e operacionais para exportadores brasileiros, especialmente nos setores de bens industrializados e produtos químicos.
Comparativo internacional das tarifas
Outros países também foram alvo das novas tarifas, mas em patamares inferiores. A Argentina, por exemplo, ficou com a alíquota mais baixa entre os 90 países listados, de 10%. O Canadá, por sua vez, não conseguiu avançar nas negociações e receberá uma tarifa de 35%, enquanto países como Laos, Mianmar e Síria foram taxados em 40% ou mais.
Países da União Europeia, como Alemanha, França e Itália, obtiveram uma tarifa de 15%. A China, que segue em negociações com Washington, enfrenta por ora uma tarifa provisória de 30%.
Motivações diplomáticas e econômicas
Segundo especialistas em relações internacionais ouvidos pelo Wall Street Journal, a medida também deve ser interpretada como resposta à condução da política externa de países que, na avaliação da administração Trump, adotam postura hostil às diretrizes americanas.
No caso brasileiro, fontes do Departamento de Estado sugerem que pesaram na decisão os desdobramentos da investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as restrições brasileiras a tecnologias americanas.
Reações do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores informou, por nota, que está acompanhando os desdobramentos da medida e avaliando as possibilidades de contestação junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty ressaltou que a parceria comercial com os EUA é estratégica para o Brasil e que “a imposição de barreiras tarifárias deve observar os princípios da boa-fé e da reciprocidade”.
Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmaram que os efeitos diretos para os setores produtivos ainda estão sendo mensurados, mas alertaram que o aumento no custo final poderá reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA.
A nova tarifa entra em vigor em 7 de agosto, exceto para produtos com exceção formal. Exportadores precisarão rever contratos e logística de envio, enquanto o governo brasileiro estuda formas de mitigar os impactos sobre a balança comercial.


