O dólar nesta segunda-feira, 22 de setembro, abriu em alta. Às 9h10, a moeda americana avançava 0,39% e era negociada a R$ 5,3410, segundo dados da B3. A movimentação reflete expectativas em relação ao cenário político nacional e internacional, além de indicadores econômicos que impactam diretamente o bolso dos brasileiros.
Na última sexta-feira, 19 de setembro, o dólar já havia fechado em leve alta de 0,03%, cotado a R$ 5,3203. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, encerrou o dia em alta de 0,25%, aos 145.865 pontos.
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Expectativas políticas e econômicas
O mercado acompanha a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Embora não haja confirmação oficial, há expectativa de um possível encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento delicado das relações comerciais.
O governo americano iniciou a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, medida que pode afetar exportações nacionais e pressionar a cotação do dólar.
Além disso, investidores acompanham discursos de dirigentes do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que podem dar sinais sobre os próximos passos da política monetária americana. Entre os nomes previstos para falar hoje estão Alberto Musalem (St. Louis), Beth Hammack (Cleveland), Stephen Miran e Tom Barkin (Richmond).
Boletim Focus e juros no Brasil
Nesta segunda-feira, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que reúne projeções de mais de 100 economistas. O relatório mostrou que o mercado mantém a expectativa de inflação em 4,83% para 2025. Para 2026, houve pequeno ajuste, com previsão de 4,29%.
Em relação à taxa básica de juros Selic, o levantamento indica expectativa de que a taxa encerre 2026 em 12,25%. Atualmente, a Selic está em 15%, após decisão recente do Banco Central de mantê-la no mesmo patamar.
O mercado também projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,16% em 2025 e 1,80% em 2026. Já o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 5,50, permanecendo em torno de R$ 5,60 no ano seguinte.
Intervenção do Banco Central no câmbio
Na sexta-feira, o Banco Central vendeu US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,67 bilhões na cotação atual) em dois leilões de linha, que são operações de venda de dólares com compromisso de recompra. A medida visa dar liquidez ao mercado e reduzir a pressão sobre a moeda.
No primeiro leilão, foram vendidos US$ 1 bilhão com taxa de corte de 5,291000%, enquanto no segundo o valor também foi de US$ 1 bilhão, com taxa de 5,158000%. Os recursos deverão ser liquidados em 2 de outubro, com recompra prevista para fevereiro e março de 2026.
Relação entre Trump e Xi Jinping
Outro fator observado pelos investidores é a relação entre Estados Unidos e China. Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping conversaram por telefone para tentar avançar em um acordo envolvendo o TikTok e reduzir as tensões comerciais.
O governo americano determinou que o aplicativo seja suspenso para usuários no país até janeiro de 2025, caso não seja vendido pela controladora chinesa ByteDance. Trump, no entanto, busca adiar a medida enquanto negocia um comprador, alegando riscos de impacto político e social.
Bolsas internacionais e reflexos no Brasil
Na última sexta-feira, os mercados em Wall Street fecharam em alta. O índice S&P 500 avançou 0,47%, chegando a 6.662,84 pontos. O Nasdaq subiu 0,69%, para 22.625,48 pontos, enquanto o Dow Jones teve alta de 0,36%, somando 46.315,77 pontos.
Na Europa, os principais índices fecharam em queda. O Stoxx 600 recuou 0,30%, enquanto o DAX, de Frankfurt, caiu 0,15%. Em Paris, o CAC-40 encerrou em baixa de 0,01%.
Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto. O índice Nikkei, de Tóquio, caiu 0,6%, fechando a 45.045 pontos. Já em Hong Kong, o Hang Seng permaneceu estável em 26.545 pontos.
Impacto para o consumidor
Para a população, a valorização do dólar pode significar aumento nos preços de produtos importados, como eletrônicos, remédios e alimentos que dependem de insumos de fora. Além disso, a moeda forte pressiona a inflação, já que eleva custos de empresas que dependem de matérias-primas estrangeiras.
Por outro lado, exportadores tendem a ser beneficiados, já que recebem em dólar e podem lucrar mais ao converter os valores para real. Esse cenário reforça a atenção do mercado sobre o equilíbrio entre inflação, juros e câmbio.


