O Brasil registrou no primeiro trimestre de 2025 o menor número de inadimplência e retomadas de imóveis desde 2022. As retomadas, também chamadas de reintegrações de posse, acontecem quando o banco ou a instituição financeira retoma a casa, ou apartamento financiado por falta de pagamento.
Entre janeiro e março deste ano, foram retomados 812 imóveis, número que interrompe uma sequência de aumentos registrada nos últimos anos.

A Caixa Econômica Federal, que responde por cerca de dois em cada três financiamentos imobiliários do país, foi responsável pela maior parte das retomadas. No primeiro trimestre de 2025, o banco retomou 8.762 imóveis, quantidade 33,4% menor que a registrada no mesmo período do ano passado, quando 13.166 propriedades voltaram para a instituição.
Economia ajudou famílias a pagar as parcelas
Um dos principais motivos para a queda nas retomadas é o cenário econômico mais favorável. O Brasil vive atualmente o menor índice de desemprego da sua história, e o salário médio da população também aumentou. Com mais pessoas empregadas e com melhor renda, as famílias conseguiram reorganizar suas finanças e manter os pagamentos em dia.
Além disso, houve mais espaço para renegociação de dívidas. Muitos brasileiros conseguiram conversar com os bancos e encontrar alternativas antes que a retomada fosse iniciada. Esse movimento reduziu o número de famílias que perderam seus imóveis.
Outro fator importante foi a queda da inadimplência. Na Caixa, por exemplo, o percentual de contratos com atraso de mais de 90 dias caiu para 1,19% em 2024, número bem menor que o registrado em 2023. Ainda que tenha subido um pouco no começo de 2025, para 1,42%, esse aumento não foi suficiente para mudar a tendência de redução nas retomadas.
Histórico recente das retomadas
O resultado atual chama atenção porque em 2024 o país viveu um recorde no número de retomadas. Somente naquele ano, a Caixa recuperou 49.935 imóveis, superando o recorde anterior, que havia sido em 2023, com 39.591 unidades.
Durante a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2021, o cenário foi o oposto. O governo adotou medidas para aliviar a situação das famílias, permitindo pausas ou reduções temporárias nas parcelas. Isso fez com que as retomadas fossem quase nulas naquele período, já que muitos devedores foram poupados temporariamente das cobranças.
Juros altos dificultam novos financiamentos
Apesar do lado positivo para quem já tem financiamento, há um ponto de atenção para quem pretende comprar um imóvel: os juros altos. A taxa Selic, que é a taxa básica de juros do Brasil, chegou a 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
Esse aumento não afeta diretamente quem já está pagando as parcelas, mas dificulta a vida de quem busca um novo financiamento. Além dos juros elevados, desde novembro de 2024 o governo aumentou de 20% para 30% o valor mínimo de entrada para quem deseja financiar um imóvel. Em alguns casos, o comprador só consegue financiar até metade do valor da casa ou apartamento, o que limita o acesso da população ao crédito imobiliário.
Essas mudanças já aparecem nos números. No primeiro trimestre de 2025, a Caixa assinou 164,2 mil novos contratos de financiamento, queda de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso fez a carteira de crédito imobiliário do banco crescer em ritmo mais lento, com aumento de 12,7%, o menor desde 2022.


