IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Apesar de recorde nas exportações, setores ainda sofrem com tarifaço dos EUA

Por

·

O Brasil registrou um marco histórico em suas vendas para o exterior nos oito primeiros meses deste ano, mesmo com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Entre janeiro e agosto, as exportações somaram US$ 227,6 bilhões, o equivalente a R$ 1,138 trilhão. Já as importações chegaram a US$ 184,8 bilhões, ou R$ 924 bilhões, fazendo com que a chamada corrente de comércio – a soma de tudo que entra e sai do país – atingisse US$ 412,4 bilhões, cerca de R$ 2,06 trilhões, também um recorde.

Tarifaço atinge brasileiros
Apesar do resultado positivo no acumulado, os números mais recentes revelam que nem todos os setores estão conseguindo escapar dos efeitos do tarifaço | Foto: Reprodução/ Canva

Um estudo feito pelos pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que o impacto da sobretaxa sobre produtos brasileiros é expressivo e desigual entre as regiões do país.

Queda brusca nas exportações para os EUA

Usando dados do próprio governo federal, os pesquisadores mediram as consequências da medida norte-americana. Segundo o levantamento, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 27,7% em apenas um mês. Quando a comparação é feita em relação ao mesmo período do ano passado, a queda é de 18,5%.

O impacto é ainda mais visível quando se analisam os resultados por região. O Sudeste, responsável pela maior parte das vendas externas para o mercado americano, viu suas exportações encolherem 38% em apenas um mês. No Nordeste, a retração foi ainda mais forte: 52,7% entre julho e agosto.

A pesquisa ressalta, porém, que o resultado anual da região nordestina ainda é positivo. Isso indica que houve uma antecipação das vendas em julho, numa tentativa de escapar da sobretaxa antes que ela começasse a valer com mais força. Ou seja, muitas empresas preferiram despachar grandes volumes de mercadorias de uma só vez, reduzindo a exposição ao imposto extra.

Impacto rápido, profundo e desigual

Os especialistas da FGV resumem o efeito do tarifaço em três palavras: rápido, profundo e desigual. Em pouco tempo, setores inteiros sentiram a retração das vendas. A intensidade varia conforme o produto e a região, mas a tendência é clara: exportar para os Estados Unidos ficou mais difícil e menos lucrativo.

Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que ainda é cedo para medir as consequências sobre o emprego. O motivo é que muitas empresas estão em processo de adaptação. Há movimentos de busca por novos mercados e até ajustes na linha de produção para reduzir perdas. Esse período de reorganização pode, em parte, compensar o choque inicial.

Recorde histórico no comércio exterior

O contraste entre os números é evidente. Enquanto setores específicos sofrem, o comércio exterior brasileiro como um todo atingiu níveis recordes. O acumulado de exportações até agosto representa um crescimento de 0,5% em relação ao mesmo período de 2024. Pode parecer pouco, mas, diante de um cenário global marcado por tensões comerciais e instabilidade econômica, trata-se de um avanço relevante.

O desempenho positivo geral se deve, em grande parte, à diversificação de parceiros comerciais. O Brasil tem conseguido ampliar suas vendas para países da Ásia, da Europa e da América Latina. Esses mercados ajudaram a compensar as dificuldades enfrentadas nos Estados Unidos, que ainda são um dos destinos mais importantes para os produtos brasileiros.

Setores buscam alternativas

Diante das sobretaxas, empresas têm procurado estratégias para minimizar prejuízos. Algumas estão redirecionando parte da produção para países vizinhos, aproveitando acordos do Mercosul. Outras tentam ampliar a presença em mercados emergentes, como Índia e Oriente Médio.

Há também iniciativas de inovação: exportadores de produtos industrializados estão investindo em tecnologia para agregar valor e tornar suas mercadorias mais competitivas, mesmo com a barreira extra de impostos. Essa adaptação pode levar tempo, mas especialistas acreditam que tende a fortalecer a posição do Brasil no cenário internacional.

Incertezas no horizonte

Apesar dos sinais de reação, a incerteza ainda é grande. Como os efeitos no mercado de trabalho só devem aparecer nos próximos meses, não é possível saber até que ponto os empregos estarão ameaçados. O que está claro, por ora, é que os impactos variam bastante entre os setores.

Enquanto o agronegócio e a mineração conseguem manter bons números por causa da demanda global, áreas da indústria, especialmente a de manufaturados, sentem mais fortemente as consequências do tarifaço.

Balanço até agora

O estudo da FGV deixa claro que o tarifaço trouxe efeitos imediatos. As quedas expressivas nas vendas para os Estados Unidos em apenas um mês mostram a força da medida. Mas o mesmo levantamento também sugere que os exportadores brasileiros não ficaram de braços cruzados: anteciparam embarques, buscaram novos mercados e iniciaram processos de adaptação.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade