O consumo nas favelas brasileiras passará por uma transformação significativa em 2026, impulsionado pela digitalização, pelo pragmatismo e pela busca por pertencimento cultural. O diagnóstico faz parte da nova edição do Tracking das Favelas, estudo contínuo produzido pela Nós – Inteligência e Inovação Social. Diferentemente de anos anteriores, quando o foco era ampliar o acesso a produtos e serviços, o próximo ano aponta para decisões de compra mais conectadas à identidade e ao cotidiano das comunidades.
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Metodologia da pesquisa
O Tracking das Favelas é realizado com moradores de periferias de todas as regiões do país. A coleta de dados é feita via aplicativo próprio da instituição, que utiliza usuários previamente perfilados por gênero, idade, classe social e localidade, incluindo clusters específicos de favelas. O estudo conta com 800 respondentes que vivem em comunidades e respeita cotas de gênero e idade para garantir representatividade estatística.
Por se tratar de uma pesquisa digital, as respostas passam por validação automática ou manual para garantir a integridade das informações. A margem de erro é de 3,5%, com intervalo de confiança de 95%, o que permite alta precisão na leitura dos comportamentos de consumo.
Identidade cultural como motor de escolha
O estudo aponta que as decisões de compra em 2026 serão orientadas por produtos, marcas e experiências que reforçam o sentimento de pertencimento. Itens que dialogam com estética, representatividade e linguagem da favela devem ganhar força.
A tendência se conecta ao crescimento de iniciativas locais, com empreendedores que oferecem produtos alinhados às preferências da comunidade. Essa valorização da identidade aparece tanto em categorias tradicionais quanto nas digitais, ampliando a relevância de referências culturais próprias da periferia.
Pragmatismo cresce em meio à restrição de orçamento
Mesmo diante da busca por identidade, o consumidor das favelas continua orientado pelo orçamento doméstico. O pragmatismo é uma das tendências identificadas pela pesquisa, reforçado pela necessidade de conciliar qualidade, durabilidade e custo-benefício. Isso se reflete em escolhas mais racionais em categorias como alimentos, materiais de limpeza, materiais de construção e bebidas não alcoólicas.
Nesse contexto, marcas que oferecem embalagens econômicas, preços estáveis e programas de fidelidade tendem a se destacar. A preferência por itens essenciais e marcas já testadas também aparece como ponto relevante entre os entrevistados.
Digitalização se consolida no dia a dia das comunidades
Outra tendência forte para 2026 é o avanço da digitalização, especialmente no consumo e nos serviços financeiros. O estudo mostra que moradores de favelas estão cada vez mais habituados ao uso de aplicativos para pagamentos, compras e entretenimento. Plataformas de bancos digitais, sites de compra e serviços de streaming crescem de forma consistente entre os entrevistados.
Segundo a pesquisa, categorias como entretenimento online, telefonia e sites de compra devem ser impulsionadas pelo acesso ampliado a smartphones e pacotes de dados. O movimento acompanha o crescimento nacional de serviços digitais, que têm custo menor e maior facilidade de acesso em comparação às alternativas tradicionais.
Alimentos e bebidas seguem como pilares de consumo
As categorias de alimentos, bebidas alcoólicas e não alcoólicas mantêm importância central no orçamento das famílias nas favelas. Embora o comportamento nessas áreas seja influenciado pelos preços, o estudo identifica um aumento no interesse por marcas que dialogam com o cotidiano comunitário, desde embalagens maiores até sabores que fazem parte da cultura local.
Essa dinâmica também aparece na forma de compra. Há crescimento de consumidores que utilizam aplicativos de mercado ou recebem entregas de pequenos comerciantes locais que se adaptaram a plataformas digitais.
Bancos e serviços financeiros ampliam presença
A digitalização também impacta o setor financeiro. O estudo afirma que, em 2026, os moradores de favelas tendem a consolidar o uso de contas digitais, aplicativos de pagamento e serviços bancários online. A facilidade para abrir contas sem burocracia e o acesso a cartões pré-pagos são fatores apontados pela pesquisa como determinantes para o avanço das fintechs nesse público.
Além disso, há maior procura por formas de crédito com juros mais baixos e condições mais claras, o que pressiona bancos e plataformas financeiras a oferecer produtos acessíveis a consumidores de renda variável.
Construção e limpeza refletem necessidades práticas
Materiais de construção e limpeza aparecem entre as categorias monitoradas pelo estudo. Nas favelas, obras de autoconstrução são comuns, assim como reformas graduais feitas ao longo do ano. Por isso, a busca por produtos de bom custo-benefício e lojas próximas à comunidade continua predominante. Itens de limpeza seguem entre os mais consumidos, com destaque para marcas que oferecem embalagens econômicas e preços mais estáveis.
Telefonia e conectividade seguem em expansão
A pesquisa mostra que operadoras de telefonia continuam sendo fundamentais nas favelas. Pacotes pré-pagos e planos que combinam internet com aplicativos de uso diário, como mensageiros e redes sociais, seguem como principais escolhas para 2026. O acesso à internet permanece como serviço essencial para comunicação, entretenimento, estudo e trabalho.


