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Desmontando a ostentação: o raio-X da criminalidade brasileira pelo Data Favela

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O sonho da casa própria e o recado das favelas brasileiras

O sonho da casa própria domina o horizonte de aspirações. Ter uma casa para si (28%) ou para a família (25%) representa o desejo de 53% dos entrevistados. Esse dado é um espelho do que é a prioridade da favela brasileira: a busca por um patrimônio sólido que garanta segurança e dignidade. Em forte contraste, os desejos por bens de luxo (“egoístas”) somam 31% das respostas, evidenciando que a segurança do lar familiar é a prioridade.

Mais da metade dos entrevistados (58%) está disposta a deixar o crime por oportunidades. Essa possibilidade está majoritariamente ligada a condições econômicas que garantam estabilidade, como emprego, empreendedorismo e renda lícita. O problema central é, portanto, a ausência de alternativa econômica viável, que remonta a uma vida sem acesso.

O grande ponto de inflexão que emerge da pesquisa é que a criminalidade, nesse contexto, é um problema econômico e social, com graves consequências para a segurança pública. A apresentação de perspectiva, por meio de investimentos maciços em trabalho e capacitação, é o fator que poderia mudar o jogo, oferecendo aos jovens um caminho alternativo e ceifando a necessidade econômica que os empurra para o tráfico.

É essa falta de horizonte que transforma vidas em estatísticas frias, como as registradas em operações como as do Complexo do Alemão ou da Penha. Afinal, por trás dos números existe uma máxima inegável, frequentemente expressa por mães que enfrentam o luto: “Nenhuma mãe põe filho no mundo para ser bandido.”

A sociedade precisa, urgentemente, enxergar essa população não como inimiga, mas como mão de obra e consumo à espera de uma chance para construir a vida de forma lícita, a partir da base mais fundamental da dignidade: o teto próprio.

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Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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