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Idosos batem recorde de ocupação no Brasil em 2024

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A participação dos idosos no mercado de trabalho brasileiro bateu recorde em 2024. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pela CNN Brasil em 3 de dezembro de 2025, 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas no país. Isso significa que 1 a cada 4 idosos trabalhava naquele ano.

O número representa o maior patamar desde o início da série histórica, em 2012. O avanço ocorre em meio ao aumento da expectativa de vida, ao crescimento da informalidade e às mudanças provocadas pela reforma da Previdência Social de 2019.

O estudo do IBGE também mostrou que a taxa de desocupação entre idosos chegou a 2,9% em 2024, apresentando queda contínua desde 2021. A menor taxa da série foi registrada em 2020, quando a ocupação atingiu 19,8%, mas o índice vem crescendo desde então.

Leia também: Pobreza e extrema pobreza caem, mas desigualdade racial persiste

Movimento intenso de trabalhadores idosos acompanhando a rotina das grandes cidades | Foto: Reprodução/Canva
Movimento intenso de trabalhadores idosos acompanhando a rotina das grandes cidades | Foto: Reprodução/Canva

Mais idosos no país e mais anos de trabalho

O Brasil registrou um aumento significativo da população idosa nos últimos anos. Segundo o IBGE, eram 22,2 milhões de idosos em 2012, equivalente a 14,4% da população. Em 2024, o número avançou para 34,1 milhões, cerca de 19,7% dos brasileiros. Trata-se de um crescimento de 53,3% em 12 anos.

O aumento da longevidade exerce influência direta na presença dos idosos no mercado de trabalho. A população mais velha permanece ativa por mais tempo, tanto por necessidade financeira quanto por mudanças demográficas e familiares.

A taxa de subutilização entre idosos ficou em 13,2%, abaixo da média total da população em idade ativa, que foi de 16,2%. Esse indicador considera pessoas que trabalham menos horas do que gostariam, que têm dificuldade de encontrar emprego ou que estão disponíveis para trabalhar, mas não procuram uma vaga.

Diferenças entre homens e mulheres

Os dados do IBGE mostram uma disparidade expressiva entre os gêneros. Em 2024, 34,2% dos homens idosos estavam ocupados, enquanto entre as mulheres idosas a taxa era de 16,7%, diferença de 17,4 pontos percentuais.

No recorte por idade, quase metade dos homens entre 60 e 69 anos estava empregada, com taxa de 48%. Entre as mulheres na mesma faixa etária, a taxa foi de 26,2%.

O levantamento indica que o maior avanço na participação do mercado de trabalho nos últimos anos veio justamente das mulheres idosas. Em 2019, apenas 14,6% delas estavam ocupadas. Entre os homens, o índice naquele ano era de 33,8%.

Mesmo assim, os números mostram queda significativa na ocupação após os 70 anos. Entre os homens com 70 anos ou mais, 15,7% permaneciam trabalhando. Entre as mulheres dessa faixa etária, 5,8% continuavam ativas.

Trabalho informal é maioria entre os idosos

O estudo reafirma que a informalidade é predominante entre as pessoas com 60 anos ou mais. Em 2024, 55,7% dos idosos trabalhavam na informalidade, proporção acima da média da população em idade ativa, calculada em 40,6%.

A formalização alcançou 44,3% dos idosos, enquanto entre trabalhadores mais jovens a taxa foi de 59,4%.

As desigualdades raciais também aparecem nesse recorte. Apenas 38,8% dos idosos pretos e pardos estavam em ocupações formais, enquanto 61,2% trabalhavam de forma informal. A diferença reflete padrões estruturais observados nos dados de outras faixas etárias.

O IBGE destacou ainda que cerca de metade dos idosos trabalhava em duas posições simultâneas em 2024, com predominância de ocupações por conta própria.

Renda média dos idosos supera a dos demais trabalhadores

Mesmo diante da alta informalidade, o rendimento médio dos idosos foi superior ao dos demais trabalhadores. De acordo com o IBGE, a renda média do trabalho principal das pessoas com 60 anos ou mais foi de R$ 3.561 em 2024. O rendimento médio dos trabalhadores com 14 anos ou mais ficou em R$ 3.108, o que significa que os idosos receberam 14,6% a mais.

Entre homens e mulheres idosos, porém, há desigualdade expressiva. As mulheres receberam R$ 2.718, cerca de 33,2% a menos que os homens, cujo rendimento foi de R$ 4.071.

A desigualdade racial também influenciou os rendimentos. Pessoas idosas pretas ou pardas receberam R$ 2.403, enquanto idosos brancos tiveram média de R$ 4.687, diferença de 48,7%.

O rendimento por hora trabalhada também foi maior para os idosos. Em 2024, o valor médio por hora para ocupados com 14 anos ou mais foi de R$ 19,20. Entre os idosos, o rendimento-hora chegou a R$ 25,60, quase o dobro do observado entre jovens de 14 a 29 anos, que receberam em média R$ 13,30 por hora.

Perspectivas para o mercado de trabalho dos idosos

Os dados consolidam uma tendência de crescimento contínuo da ocupação entre pessoas com 60 anos ou mais no Brasil. A combinação entre maior longevidade, mudanças previdenciárias e expansão da informalidade ajuda a explicar o movimento. O levantamento mostra que trabalhadores idosos continuam sendo parte relevante do mercado profissional, atuando principalmente em ocupações autônomas e informais, com rendimentos que variam de acordo com gênero e raça.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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