A economia da Alemanha, a maior da Europa, deve seguir em ritmo lento no começo de 2026, apesar de sinais de melhora em alguns setores. A avaliação consta no relatório econômico mensal do Deutsche Bundesbank (BBk), o banco central alemão, divulgado nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026.
Segundo o documento, o país terminou 2025 com a atividade econômica mais aquecida, mas a expectativa é de que o crescimento no primeiro trimestre de 2026 seja apenas moderado. Já a inflação deve continuar próxima da meta de 2%.
De acordo com o relatório do Bundesbank, a economia alemã saiu de um período prolongado de estagnação, marcado por dificuldades no setor industrial e por impactos negativos no comércio exterior. Ainda assim, o cenário para o curto prazo continua cauteloso, refletindo um ambiente internacional desafiador e ajustes internos em andamento.
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Crescimento moderado no curto prazo
O banco central alemão afirmou que as expectativas mais pessimistas das empresas, observadas recentemente, indicam que a produção econômica deve avançar de forma limitada no primeiro trimestre de 2026. O desempenho fraco está ligado, principalmente, à lenta recuperação das exportações, que ainda não retomaram os níveis anteriores à crise industrial enfrentada pelo país nos últimos anos.
A Alemanha depende fortemente do comércio exterior, especialmente da venda de bens industriais de alto valor agregado. Nos últimos anos, tarifas impostas pelos Estados Unidos e a desaceleração da economia global reduziram a competitividade das exportações alemãs. Esse cenário pressionou a atividade econômica e afetou empregos ligados à indústria, um dos pilares do país.
Indústria mostra sinais de reação
Apesar das dificuldades, o relatório aponta que o setor industrial parece ter saído do fundo do poço. A produção industrial ainda opera em níveis baixos, mas os indicadores mais recentes sugerem estabilização e leve recuperação. Esse movimento é importante para a economia alemã, já que a indústria responde por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto e da geração de renda.
O documento do BBk destaca que a melhora industrial, embora gradual, contribui para reduzir o risco de novas quedas acentuadas na atividade econômica. No entanto, o ritmo dessa recuperação ainda é considerado insuficiente para impulsionar um crescimento mais forte no início do ano.
Consumo interno ganha força
Outro ponto ressaltado no relatório é o aumento dos gastos das famílias. Segundo o BBk, os consumidores estão gastando mais em função de ganhos salariais expressivos registrados recentemente. Esses reajustes ajudaram a recompor parte do poder de compra perdido durante o período de inflação mais elevada observado após a pandemia.
O fortalecimento da demanda doméstica tem sido um dos principais fatores de sustentação da economia alemã no momento. Com o consumo em alta, setores de serviços e comércio interno mostram desempenho mais favorável, compensando parcialmente a fraqueza do setor externo.
Gastos do governo e política fiscal
O relatório também aponta que a demanda interna vem sendo impulsionada pelos esforços do governo para aumentar os gastos, especialmente na área de defesa. Esse movimento está ligado a compromissos assumidos pela Alemanha no contexto geopolítico europeu e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A flexibilização da política fiscal deve gerar um impulso mais forte à economia mais adiante em 2026. No entanto, esse efeito ainda não deve ser sentido de forma relevante no primeiro trimestre do ano.
Projeções de crescimento revisadas
Apesar de uma perspectiva considerada melhor do que em anos recentes, a recuperação econômica pode levar mais tempo. O governo alemão deve reduzir sua previsão de crescimento para 2026 de 1,3% para 1,0%. Essa revisão reflete a avaliação de que os desafios estruturais e externos continuam limitando o avanço da economia.
Inflação sob controle
No campo dos preços, o Bundesbank manteve uma visão otimista. A expectativa é que a inflação na Alemanha permaneça próxima de 2% nos próximos meses, em linha com a meta do Banco Central Europeu (BCE), instituição responsável pela política monetária da zona do euro, conjunto de países que utilizam o euro como moeda.
Para a zona do euro como um todo, a previsão é de que a inflação geral fique abaixo de 2% em 2026, influenciada principalmente pela queda nos custos de energia. Posteriormente, a expectativa é de uma leve recuperação da inflação, à medida que as pressões internas de preços se mantenham próximas da meta estabelecida pelo BCE.
Impactos para a Europa
Como maior economia europeia, o desempenho da Alemanha tem reflexos diretos sobre outros países do continente. Um crescimento mais fraco no início de 2026 pode limitar o ritmo de recuperação da zona do euro, especialmente em economias fortemente integradas às cadeias produtivas alemãs. Ao mesmo tempo, a estabilidade da inflação contribui para um ambiente de maior previsibilidade na política monetária europeia.


