Mercado de trabalho ganha peso na mudança de perfil
A análise da FGV indica que o crescimento da renda do trabalho teve papel central na mobilidade social recente. Segundo o economista Marcelo Neri, responsável pelo estudo, a ampliação do emprego formal e o aumento dos rendimentos ajudaram a sustentar a migração de milhões de pessoas para faixas superiores de renda.
O levantamento também aponta que mecanismos de proteção social funcionaram como apoio temporário, permitindo maior estabilidade financeira enquanto parte da população buscava inserção ou permanência no mercado de trabalho.
Crescimento econômico e consumo caminharam juntos
O avanço das classes de maior renda ocorreu em um contexto de crescimento econômico acima de 3% ao ano, segundo a FGV, com reflexos na criação de vagas, no fortalecimento de pequenos e médios negócios e na ampliação do consumo das famílias.
Ao mesmo tempo, o estudo observa que esse movimento não elimina desafios estruturais, como desigualdades regionais, informalidade no mercado de trabalho e a necessidade de sustentabilidade das contas públicas.
Leitura dos dados exige cautela
Embora os números indiquem redução da pobreza e expansão da classe média, é importante ressaltar que esse tipo de avanço pode ser sensível a mudanças no cenário econômico, como inflação, juros e desaceleração do emprego. A própria FGV destaca que o estudo descreve um período específico e não garante, por si só, a continuidade da tendência nos próximos anos.
O levantamento oferece um retrato estatístico relevante da renda no país, mostrando uma transformação significativa no curto prazo, mas que ainda depende de condições econômicas estáveis para se consolidar.


