A decisão do governo dos Estados Unidos de suspender temporariamente a emissão de vistos para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil, gerou dúvidas entre brasileiros que planejam viajar ao exterior em 2026. O anúncio foi feito pelo governo americano em janeiro e tem como foco vistos ligados à imigração permanente.
Segundo comunicado oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a suspensão está relacionada a políticas migratórias e ao uso de benefícios sociais por parte de estrangeiros. A medida, de acordo com o governo americano, busca reduzir custos internos e reforçar o controle sobre novos imigrantes.
Leia também: EUA suspendem vistos para imigrantes de 75 países; Brasil estaria na lista

Copa do Mundo e expectativa dos torcedores brasileiros
O anúncio ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em um período de preparação para a Copa do Mundo, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho de 2026. O torneio será sediado em três países: Estados Unidos, Canadá e México. Do total de 104 partidas previstas, 78 ocorrerão em território americano, incluindo os três jogos da seleção brasileira na fase de grupos.
A concentração da maior parte dos jogos nos Estados Unidos faz com que muitos torcedores brasileiros dependam diretamente da emissão do visto americano para acompanhar o evento. Por isso, a suspensão levantou questionamentos sobre possíveis impactos nas viagens já planejadas.
Vistos de turismo não estão suspensos
Apesar da apreensão inicial, a suspensão anunciada não atinge diretamente os vistos de curta duração, como os vistos de turismo. Esse tipo de visto é o mais utilizado por brasileiros que viajam para assistir a eventos esportivos, fazer turismo ou participar de compromissos temporários.
Na prática, brasileiros que pretendem ir aos Estados Unidos apenas para acompanhar a Copa do Mundo não estão automaticamente impedidos de solicitar o visto de turismo. O governo americano informou que a medida está direcionada principalmente a processos de imigração permanente.
Possíveis atrasos e maior rigor nas análises
Embora os vistos de turismo não estejam incluídos na suspensão, especialistas e autoridades alertam para um ambiente mais restritivo nos consulados. A expectativa é de que haja maior rigor na análise dos pedidos e possíveis atrasos no processamento.
Isso significa que o tempo de espera para entrevistas e respostas pode aumentar. Para quem planeja viajar em junho ou julho, o impacto financeiro de um atraso pode ser relevante. Passagens aéreas internacionais, por exemplo, costumam ter preços mais elevados quanto mais próximo da data da viagem.
Um bilhete de ida e volta entre Brasil e Estados Unidos pode variar de R$ 3.000 a R$ 6.000, dependendo da antecedência da compra e da cidade de origem, segundo valores praticados por companhias aéreas em 2025.
Ingressos não garantem a concessão do visto
Outro ponto importante destacado pelo governo americano é que a posse de ingresso para a Copa do Mundo não garante a concessão do visto. Mesmo com o bilhete em mãos, o solicitante precisa cumprir todas as exigências do processo consular, como comprovação de renda, vínculos com o Brasil e capacidade financeira para custear a viagem.
Exceções costumam ser analisadas caso a caso e geralmente se aplicam a atletas, delegações oficiais, dirigentes e profissionais credenciados para o evento. Essas situações dependem de decisões específicas do governo dos Estados Unidos e não se estendem automaticamente aos torcedores.
Sinalizações anteriores e mudança de cenário
Em novembro de 2025, a administração americana havia sinalizado a possibilidade de agilizar a emissão de vistos para estrangeiros que possuíssem ingressos para a Copa do Mundo. A intenção era facilitar o fluxo de visitantes durante o torneio e reduzir gargalos nos consulados.
Com a nova diretriz anunciada em janeiro de 2026, o foco passou a ser o controle migratório. O governo reforçou que a prioridade é evitar que novos imigrantes tenham acesso a programas de assistência social, o que alterou a expectativa de flexibilização anterior.
Planejamento financeiro e prazos consulares
Para o público brasileiro, o planejamento financeiro se torna ainda mais relevante diante desse cenário. Além do custo do visto americano, que em 2026 permanece em US$ 185, valor equivalente a cerca de R$ 925 considerando um dólar a R$ 5,00, há despesas com passagens, hospedagem, alimentação e transporte interno.
A taxa do visto não é reembolsável, mesmo em caso de negativa. Por isso, atrasos ou indeferimentos podem representar prejuízos significativos no orçamento familiar. A recomendação dos consulados é que o pedido seja feito com a maior antecedência possível, respeitando os prazos de agendamento e entrega de documentos.
Contexto econômico e reflexos no mercado
O anúncio da suspensão também teve reflexos no mercado financeiro. No dia da divulgação, houve aumento do dólar frente ao real e alta nos juros futuros, segundo informações do mercado financeiro publicadas pela imprensa especializada. Esse movimento afeta diretamente o custo de viagens internacionais, já que passagens, seguros e reservas costumam ser atrelados à moeda americana.
Para quem ainda está avaliando a possibilidade de viajar, a combinação de câmbio mais alto e incertezas consulares reforça a necessidade de acompanhar informações oficiais e atualizações do governo dos Estados Unidos.


