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Estudo aponta que fim da escala 6×1 teria impacto mínimo no custo das empresas

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A possível mudança na jornada de trabalho no Brasil voltou ao centro das discussões políticas e econômicas e pode estar mais próxima de avançar no Congresso Nacional. Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um, teria impacto inferior a 1% nos custos operacionais da maioria das empresas brasileiras.

Escala 6×1terá pouco impacto no mercado, segundo o Ipea
Nesse cenário, o custo médio por funcionário aumentaria cerca de 7,84%, já que, trabalhando menos horas e mantendo o mesmo pagamento, o valor pago por hora trabalhada fica maior | Foto: reprodução / Canva

O tema ganhou força após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da jornada semanal para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O envio marca o início formal da tramitação da proposta no Legislativo.

Redução da jornada pode elevar custo por trabalhador, mas efeito geral é pequeno

Conforme o levantamento do Ipea, a mudança reduziria a carga semanal das atuais 44 horas para 40 horas, sem alterar o salário mensal dos trabalhadores com carteira assinada, modelo conhecido como CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que reúne as regras que regulam os direitos trabalhistas no país.

Mesmo assim, o impacto total nas despesas das empresas tende a ser baixo. Isso ocorre porque os salários representam apenas uma parte dos custos gerais das companhias, que também incluem gastos com equipamentos, logística, tecnologia, aluguel e matérias-primas.

Nos setores que concentram grande volume de empregos, como comércio e indústria, o estudo indica que o aumento das despesas ficaria abaixo de 1%, indicando que essas áreas teriam maior capacidade de adaptação.

Serviços que dependem mais de mão de obra podem sentir efeitos maiores

O levantamento mostra que alguns segmentos podem enfrentar desafios maiores caso a mudança seja aprovada. Empresas que utilizam grande número de funcionários para manter suas operações, como serviços de limpeza, segurança privada e seleção de trabalhadores, podem registrar aumento mais significativo nas despesas.

No setor de vigilância e segurança, por exemplo, o impacto pode chegar a 6,6% no custo operacional, segundo o estudo. Ainda assim, as empresas podem adotar estratégias para equilibrar os gastos, como reorganizar turnos, investir em produtividade ou ampliar contratações para compensar a redução da jornada.

Mudanças já ocorreram no passado sem queda no emprego

O Ipea comparou a possível redução da carga horária com reajustes históricos do salário mínimo. Em anos como 2001 e 2012, aumentos expressivos não resultaram em redução relevante do número de vagas formais.

O instituto também lembra que a própria Constituição Federal de 1988 reduziu a jornada máxima sem provocar impacto negativo significativo no mercado de trabalho.

Jornada maior está ligada a salários menores e menor escolaridade

O estudo revela ainda que jornadas mais longas costumam atingir trabalhadores com menor nível de escolaridade e remuneração mais baixa. Dados mostram que quem trabalha até 40 horas semanais recebe, em média, cerca de R$ 6,2 mil mensais, enquanto profissionais com jornada de 44 horas ganham menos da metade desse valor.

Nesse cenário, a redução da carga horária pode ajudar a diminuir desigualdades, ao aumentar o valor da hora trabalhada e ampliar o tempo disponível para descanso, estudos e cuidados pessoais.

Pequenas empresas podem enfrentar maior dificuldade de adaptação

Outro ponto analisado é o porte das empresas. Negócios menores concentram maior número de funcionários com jornadas superiores a 40 horas, o que pode dificultar a reorganização das escalas.

Entre empresas com até quatro funcionários, cerca de 87,7% dos trabalhadores possuem carga horária acima desse limite. Já nas companhias com até nove empregados, o percentual chega a 88,6%.

Entidades empresariais pedem cautela no debate da escala 6×1

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) demonstrou preocupação com a forma como a discussão tem avançado. A entidade defende que mudanças na jornada sejam debatidas por meio de negociações coletivas entre empresas e trabalhadores, respeitando as particularidades de cada setor econômico.

Segundo a federação, alterações feitas diretamente pela Constituição podem gerar impacto na competitividade e aumentar custos, principalmente para pequenos negócios.

Proposta ainda precisa passar por várias etapas no Congresso

Com o envio da PEC para a Comissão de Constituição e Justiça, o texto passa agora por análise sobre sua legalidade e constitucionalidade. Caso seja aprovado, ainda precisará ser votado em dois turnos na Câmara e no Senado antes de entrar em vigor. Enquanto o debate avança, o estudo do Ipea reforça que a possível mudança na jornada de trabalho pode exigir ajustes em diferentes setores, mas tende a provocar impacto econômico considerado limitado no conjunto da economia brasileira.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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