A balança comercial brasileira começou 2026 com um resultado positivo mais expressivo, registrando, em janeiro, um superávit de US$ 4,343 bilhões (cerca de R$ 21,7 bilhões), valor 85,8% maior do que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo ficou em aproximadamente US$ 2,337 bilhões (aproximadamente R$ 11,7 bilhões).
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O superávit ocorre quando o país vende mais produtos ao exterior do que compra de outros países. Isso significa que entrou mais dinheiro do que saiu nas transações comerciais.

Mesmo com menor movimentação no comércio exterior como um todo, o saldo final acabou sendo mais favorável, refletindo mudanças importantes no ritmo da economia brasileira no início do ano.
Importações caem quase R$ 11 bilhões com economia mais fraca
O principal fator por trás do aumento do superávit foi a queda de 9,8% nas importações, que passaram de US$ 23,06 bilhões (cerca de R$ 115,3 bilhões) em janeiro de 2025 para US$ 20,81 bilhões (aproximadamente R$ 104 bilhões) em 2026. Na prática, o Brasil comprou cerca de R$ 11 bilhões a menos em produtos do exterior.
Essa redução está ligada à desaceleração da economia, já que, quando a atividade econômica cresce menos, empresas e consumidores tendem a reduzir compras, inclusive de produtos importados.
Além disso, fatores sazonais também pesaram no resultado, como a diminuição das compras de insumos agrícolas, influenciadas por mudanças no calendário da safra, o que contribuiu para a redução das importações no período.
As maiores quedas ocorreram nos chamados bens intermediários, que são produtos semiacabados usados na produção de outros bens. Essa categoria teve recuo de 15%, com destaque para a redução de 21,5% nas importações de combustíveis, que costumam ter peso relevante na conta externa.
Algumas compras do exterior seguem em alta
Apesar da queda geral, algumas categorias apresentaram crescimento, como as importações de bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos usados na produção, avançaram 1,1%. Esse movimento indica que parte das empresas manteve investimentos, mesmo em um cenário econômico mais lento.
Já as importações de bens de consumo, que são produtos finais comprados diretamente pelas famílias, cresceram 11,9%, mostrando que o consumo não parou completamente, embora esteja mais seletivo.
No total, a corrente comercial, que soma exportações e importações, alcançou US$ 46 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 230 bilhões, volume 5,1% menor do que os R$ 242,5 bilhões registrados em janeiro de 2025, indicando uma desaceleração no ritmo do comércio exterior.
Exportações caem pouco e seguem em nível elevado
As exportações brasileiras somaram US$ 25,153 bilhões em janeiro de 2026, o equivalente a aproximadamente R$ 125,8 bilhões, queda de 1% em relação aos R$ 127 bilhões exportados no mesmo mês do ano anterior. Apesar do recuo, este foi o terceiro maior resultado da história para um mês de janeiro, ficando atrás apenas de 2025 e do recorde de 2024, quando as exportações atingiram cerca de R$ 135 bilhões. A série histórica começou em 1989.
Mudança nos destinos das vendas brasileiras
A queda nas exportações foi puxada principalmente pelos embarques para a América do Norte, que recuaram 18,2%. Para os Estados Unidos, a redução foi ainda maior, de 25,5%, em meio às tarifas criadas pelo governo de Donald Trump.
Também houve queda nas vendas para a Europa, de 1%, sinalizando menor demanda em mercados tradicionais. Em contrapartida, as exportações para o Oriente Médio cresceram de forma expressiva, com alta de 31,6%.
Os Emirados Árabes Unidos se destacaram, com aumento de 110,1%, passando de cerca de R$ 1,45 bilhão para R$ 3 bilhões. As vendas para o Iêmen cresceram 330,2%, gerando aumento próximo de R$ 500 milhões, enquanto para o Irã houve alta de 21,4%, cerca de R$ 500 milhões a mais. Também houve crescimento relevante nas exportações para a China, com alta de 17,4%, o que representou aumento de R$ 5 bilhões, e para a Índia, com avanço de 14,4%, equivalente a cerca de R$ 500 milhões.
O resultado de janeiro mostra que, mesmo com a economia em ritmo mais lento, o comércio exterior brasileiro segue se ajustando, com menos importações, exportações ainda fortes e mudanças importantes nos destinos das vendas, o que ajudou a garantir um superávit expressivo logo no início de 2026.


