As vendas do comércio brasileiro recuaram 0,4% em dezembro, na comparação com novembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe a alta de 1% registrada no mês anterior e sinaliza perda de ritmo no fim de 2025.

O desempenho, no entanto, ficou bem abaixo da expansão de 4,1% observada em 2024, mostrando que o consumo das famílias perdeu força ao longo do período.
O que significa a queda em dezembro
O comércio varejista é um dos principais termômetros da economia, pois reflete diretamente o comportamento do consumidor. Quando as vendas aumentam, indicam maior disposição para comprar; quando diminuem, podem sinalizar orçamento mais apertado ou cautela nas decisões de consumo.
A retração de 0,4% em dezembro ocorre após um avanço significativo em novembro, mês tradicionalmente impulsionado por promoções e compras de fim de ano. Essa desaceleração no encerramento de 2025 pode estar relacionada a fatores como crédito mais caro, juros elevados e redução do poder de compra.
A taxa básica de juros, conhecida como Selic, influencia diretamente o custo do financiamento e do parcelamento. Quando está em patamar elevado, encarece compras a prazo, o que costuma afetar principalmente bens de maior valor.
Crescimento anual mais fraco
No acumulado de 2025, o varejo registrou alta de 1,6%. Embora positivo, o número mostra desaceleração em comparação com o ano anterior, quando o setor havia avançado 4,1%.
Ao observar os anos recentes, percebe-se que o desempenho vem oscilando em patamares moderados. Em 2023, o crescimento foi de 1,7%; em 2022, de 1%; e em 2021, de 1,4%. O resultado de 2025, portanto, fica próximo ao padrão dos últimos anos, mas distante da expansão mais forte observada em 2024.
Essa diferença indica que o consumo perdeu parte do fôlego ao longo do último ano. O varejo depende diretamente da renda das famílias, do mercado de trabalho e das condições de crédito. Quando algum desses fatores enfrenta restrições, as vendas tendem a desacelerar.
Comércio como indicador da economia
O desempenho do varejo tem impacto relevante sobre o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O setor comercial movimenta diferentes cadeias produtivas, desde a indústria até o transporte e os serviços.
Quando o comércio cresce menos, a atividade econômica como um todo pode sentir reflexos, principalmente em áreas ligadas à produção de bens de consumo.
Além disso, o resultado influencia decisões de empresários, que passam a ajustar estoques, planejar investimentos e definir estratégias para o ano seguinte com base na evolução das vendas.
Desafios para 2026
O encerramento de 2025 com crescimento mais modesto coloca o setor diante de um cenário que exige atenção. A manutenção de juros elevados, o comportamento da inflação e o nível de emprego serão determinantes para o desempenho do varejo nos próximos meses. Caso o custo do crédito recue ao longo de 2026, a tendência é que o consumo possa ganhar novo impulso. Por outro lado, se o orçamento das famílias continuar pressionado, o ritmo de expansão pode permanecer moderado.
A queda de dezembro não apaga o resultado positivo do ano, mas reforça o sinal de desaceleração observado nos últimos meses. O comércio, que é um dos pilares da atividade econômica, começa o novo ano com crescimento mais contido e expectativas dependentes das condições financeiras do país.


