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Inflação sobe em abril com alta dos alimentos e gasolina

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A inflação voltou a acelerar no Brasil em abril de 2026, pressionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e da gasolina. O avanço do custo de vida reacendeu a preocupação dos consumidores e também do mercado financeiro, já que itens essenciais passaram a pesar ainda mais no orçamento das famílias brasileiras.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em abril. Embora o índice tenha desacelerado em relação aos 0,88% registrados em março, o acumulado em 12 meses chegou a 4,39%, ficando próximo do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%.

Alimentos lideram alta da inflação em abril

O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela inflação de abril. Segundo o IBGE, o setor avançou 1,34% no mês e teve o maior peso sobre o índice geral.

Entre os alimentos que mais subiram de preço estão produtos básicos da alimentação diária do brasileiro. A cenoura teve a maior alta do período, com aumento de 26,6%. Em seguida aparecem o leite longa vida, que ficou 13,7% mais caro, e a cebola, com avanço de 11,8%.

Outros itens também registraram forte pressão nos supermercados:

  • Tomate: alta de 13,76%.
  • Cebola: aumento de 16,54% na prévia da inflação.
  • Leite longa vida: avanço de 16,33%.
  • Carnes: alta média de 1,6%.
  • Hortaliças e verduras: aumentos acima da média nacional.

Os dados fazem parte do IPCA, considerado a prévia oficial da inflação brasileira.

Economistas apontam que fatores climáticos, entressafra agrícola e custos de produção mais elevados ajudaram a pressionar os alimentos. O clima seco em algumas regiões produtoras afetou a oferta de verduras e legumes, enquanto produtores de leite enfrentaram aumento nas despesas com alimentação animal e transporte.

Consumidor analisa preços em supermercado: alimentos lideram a alta da inflação em abril de 2026 | Foto: Reprodução/ Pixels
Consumidor analisa preços em supermercado: alimentos lideram a alta da inflação em abril de 2026 | Foto: Reprodução/ Pixels

Gasolina sobe e amplia pressão no bolso do consumidor

Além dos alimentos, a gasolina voltou a ser um dos principais vilões da inflação em abril. O combustível registrou alta de 1,86% no IPCA oficial, enquanto na prévia da inflação o aumento chegou a 6,23%.

O diesel também apresentou forte avanço, acumulando alta de 16% no período analisado.

A elevação dos combustíveis está diretamente ligada ao cenário internacional. A valorização do petróleo no mercado externo, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo países do Oriente Médio, aumentou os custos globais da commodity e impactou os preços praticados no Brasil.

Especialistas alertam que a tendência ainda é de pressão sobre os combustíveis nos próximos meses, principalmente caso o petróleo continue operando em patamares elevados no mercado internacional.

Alta da gasolina impacta alimentos e transporte

O aumento da gasolina e do diesel não afeta apenas os postos de combustíveis. Como o transporte rodoviário é a principal forma de logística do país, o encarecimento do frete acaba elevando o preço de diversos produtos, especialmente alimentos.

Na prática, isso significa que supermercados, distribuidores e produtores passam a ter custos maiores para transportar mercadorias, o que acaba sendo repassado ao consumidor final.

Esse efeito indireto já começa a aparecer em diversos setores da economia e ajuda a manter a inflação resistente mesmo com a desaceleração observada em abril.

Inflação pesa mais para famílias de baixa renda

A inflação dos alimentos afeta principalmente as famílias de baixa renda, que destinam uma parcela maior do orçamento para itens básicos de consumo.

Produtos como leite, arroz, feijão, carnes e hortaliças possuem peso relevante na cesta de consumo das classes mais pobres. Por isso, aumentos consecutivos nesses itens acabam reduzindo o poder de compra da população.

Dados históricos do IBGE mostram que alimentação e combustíveis já foram os principais responsáveis pela inflação acumulada em 2025. No ano passado, a gasolina acumulou alta de 9,71%, enquanto o grupo alimentação e bebidas avançou 7,69%.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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