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Governo anuncia apoio a empresas afetadas por tarifa dos EUA e promete proteger empregos

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Negociações continuam abertas

Apesar da confirmação da tarifa, o governo brasileiro afirmou que continuará tentando negociar com os Estados Unidos. Márcio Elias Rosa reforçou que o Brasil não pretende abandonar as negociações. “O Brasil não abandona a mesa de negociação, defendemos o multilateralismo”, afirmou. O termo significa buscar soluções por meio do diálogo entre os países, em vez de decisões unilaterais.

Ao mesmo tempo, o governo estuda utilizar a chamada Lei da Reciprocidade. Essa lei permite que o Brasil adote medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas abusivas aos produtos brasileiros. Essas medidas podem incluir novas tarifas sobre mercadorias importadas ou outras ações previstas na legislação.

Apesar de considerar a nova tarifa injusta, o governo informou que ainda não definiu quando poderá usar a Lei da Reciprocidade, afirmando que a aplicação da lei será analisada “no momento adequado”. Segundo Dario Durigan, essa decisão será tomada somente após novas reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é que uma resposta imediata poderia provocar novas sanções dos Estados Unidos e ampliar a disputa comercial entre os dois países.

Durigan também afirmou que o Brasil continuará defendendo ferramentas consideradas estratégicas pelo governo, como o Pix. “Nós seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrar a interesses estrangeiros. Seguiremos protegendo o Pix, o maior símbolo da nossa soberania financeira”, declarou. Segundo ele, isso não impede que o Brasil continue aberto às negociações com os Estados Unidos.

“A lei não é retaliatória”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). “O que existe é reciprocidade, um instrumento jurídico e legal importante que poderá ser usado em um momento adequado.”

Geraldo Alckmin fala sobre Lei de Reciprocidadeem ralação às tarifa dos EUA
O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que a lei será para proteção aos interesses brasileiros | Foto: Reprodução / TV Uol

Governo rebate críticas dos Estados Unidos

Durante a coletiva, integrantes do governo também contestaram as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para aplicar a tarifa. Dario Durigan classificou as acusações como infundadas e afirmou que as explicações usadas para justificar a medida não correspondem à realidade. Segundo o ministro, o principal prejudicado pelas tarifas é justamente quem compra e quem vende produtos entre os dois países.

Outro tema abordado foi o Pix, citado diversas vezes no relatório americano.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, rebateu essa crítica e afirmou que o Pix se tornou referência internacional por oferecer pagamentos gratuitos, rápidos e seguros para a população.

SegundoGalípolo, dizer que o sistema prejudica empresas americanas não faz sentido | Foto: Reprodução / TV Uol

 “Seria mais ou menos como dizer que criar o saneamento básico prejudicou quem tem caminhão-pipa”, comparou. Galípolo também garantiu que o Pix continuará gratuito e disponível para toda a população.

O Ministério do Meio Ambiente também contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos. O ministro João Paulo Capobianco afirmou que o Brasil apresentou informações durante as negociações para mostrar que a madeira exportada pelo país é fiscalizada e certificada.

“É com indignação que o Ministério do Meio Ambiente vê todo o trabalho realizado pelo Brasil sendo destruído para ser utilizado numa justificativa de uma taxação ilegítima absolutamente irregular”, declarou.

Debate político aumenta após decisão americana

O governo brasileiro afirmou que sempre participou das negociações e classificou a tarifa como injustificada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são falsas. “O que atrapalha o consumidor norte-americano e o produtor brasileiro são as tarifas”, declarou. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a decisão como “injusta e descabida” e lembrou que, segundo dados americanos, os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação com o Brasil.

Lula também declarou que não há justificativa para a tarifa de 25% e afirmou que o país continuará defendendo seus interesses por meio das negociações.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela nova tarifa. Segundo ele, “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.

O governo brasileiro rejeitou a declaração. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, respondeu que as afirmações são “inaceitáveis e ofensivas” e afirmou que o Brasil sempre participou das negociações e manteve disposição para buscar um acordo.

O anúncio também intensificou a disputa política interna. Governistas responsabilizaram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro pela crise comercial, enquanto integrantes da oposição atribuíram a decisão americana à condução das negociações pelo governo Lula.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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