O avanço do El Niño pode trazer consequências que vão além das mudanças no clima. O fenômeno pode prejudicar a produção de alimentos, aumentar o risco de queimadas e influenciar até o custo da energia elétrica. Para tentar reduzir esses impactos, o governo federal anunciou um pacote de medidas que soma R$ 1,3 bilhão em investimentos.
As ações foram apresentadas pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e reúnem iniciativas que já estão em andamento e outras previstas para os próximos meses. O plano inclui reforço nos estoques públicos de alimentos, obras para ampliar o acesso à água, combate a incêndios florestais e investimentos no setor elétrico.
O El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera o regime de chuvas em diferentes partes do mundo. No Brasil, o fenômeno costuma provocar seca nas regiões Norte e Nordeste, atraso das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste e aumento do risco de enchentes na Região Sul.

Estoques de alimentos serão reforçados para evitar problemas de abastecimento
Uma das principais medidas anunciadas é o aumento dos estoques públicos de alimentos. O governo vai comprar 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz, produtos considerados importantes para garantir o abastecimento caso a produção agrícola seja prejudicada pelas alterações no clima.
Também serão adquiridas 350 mil cestas de alimentos, que serão destinadas a povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares. Esses grupos costumam enfrentar mais dificuldades quando há secas prolongadas ou enchentes. As ações também mudam de acordo com a situação de cada região do país.
No Sul, onde o El Niño aumenta o risco de fortes chuvas e alagamentos, haverá reforço nas ações da Defesa Civil para atendimento às emergências. O governo também pretende investir na recuperação de barragens e diques em parceria com estados e municípios.
Já nas áreas mais atingidas pela seca, principalmente no Norte e no Nordeste, a prioridade será ampliar o combate aos incêndios florestais. Para isso, haverá aumento no número de brigadistas federais e compra de equipamentos para prevenção e combate ao fogo.
Obras para garantir água fazem parte do plano
Outra frente de atuação envolve obras para reduzir os efeitos da seca e melhorar o abastecimento de água.
Entre elas está a continuidade da integração do Rio São Francisco, projeto que deve beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Além dessa iniciativa, o governo informou que continua investindo em adutoras, canais, cisternas, novos reservatórios e recuperação de barragens. As obras atendem Maranhão, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Segundo o governo, essas intervenções ajudam a garantir água para o consumo da população, além de reduzir os prejuízos provocados pela falta de chuva na agricultura e na criação de animais.
A ministra também destacou ações ambientais realizadas nos últimos meses. De acordo com os dados apresentados, o desmatamento caiu 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal. Outro destaque foi o processo de restauração florestal em 3,4 milhões de hectares.
Seca pode pressionar a conta de luz
Os efeitos do El Niño também podem chegar ao bolso dos consumidores por meio da conta de energia. Quando chove menos, o volume de água nos rios diminui e as hidrelétricas passam a gerar menos eletricidade. Nesses períodos, costuma ser necessário recorrer às usinas termelétricas, que produzem energia a um custo maior. Isso pode aumentar as despesas do sistema elétrico e pressionar o valor da conta de luz.
Para reduzir essa dependência, o governo informou que está investindo R$ 118 bilhões na expansão da geração de energia e na diversificação das fontes usadas no país.
Parte desses recursos será aplicada na ampliação da produção de energia eólica e solar. Também estão previstos investimentos em novas linhas de transmissão para levar eletricidade de regiões com maior capacidade de geração para locais onde a produção pode cair por causa da seca.
Com esse conjunto de medidas, o governo espera diminuir os impactos do El Niño sobre a população e a economia. A expectativa é reduzir os prejuízos provocados por secas, enchentes e incêndios florestais, além de fortalecer o abastecimento de água, alimentos e energia durante os períodos de maior instabilidade climática.


