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Viver mais e poupar menos: por que a conta da aposentadoria das brasileiras não fecha?

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Para a analista Gisele Bazanella, dados apontam mais para falta de renda do que para “perfil conservador”. A saída, diz ela, começa por um processo, mesmo que o aporte seja pequeno

A mulher brasileira vive, em média, 6,6 anos a mais que o brasileiro. As tábuas de mortalidade do IBGE indicam expectativa de vida ao nascer de 79,9 anos para elas e 73,3 para eles. Hoje, o público feminino é pouco mais de 51% da população, então é possível fazer uma conta: multiplicar esse tempo extra pelo custo mensal de viver, poupar, investir e aposentar é, segundo a estrategista da WMF Capital Research, Gisele Bazanella, uma conta que quase ninguém calcula.

Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro 2026, a poupança é o investimento mais utilizado, tanto por mulheres como por homens: 61% em 2025. E, segundo a bolsa de valores brasileira (B3), o número de homens que investem em renda variável é historicamente maior que o número de mulheres: 73% contra 27%.

A proporção em abril deste ano, que analisou 7.496 recomendações de ações emitidas entre 2009 e 2021 (12,75% assinadas por mulheres), mostrou que as recomendações femininas tendem a ser mais otimistas. A diferença se concentrava nas recomendações de venda, mais frequentes entre os homens.

Gisele faz questão de delimitar o alcance do resultado. “É importante deixar claro que o estudo trata de quem recomenda ações, analistas como eu, não de quem investe. O resultado não serve como explicação automática para outras mulheres.”

Se o perfil não explica, o que explica? Para Bazanella, o peso está na margem de erro sobre o que dá pra guardar e o que dá para investir pensando no futuro. “O fato é que mulheres e pessoas com renda familiar mais baixa têm mais chance de apresentar níveis menores tanto de saúde financeira quanto de bem-estar financeiro e de resiliência. Menos renda, menos crédito, menos margem para errar e mais preocupação”.

Mulheres brasileiras vivem mais, mas ainda enfrentam desafios para poupar, investir e garantir uma aposentadoria tranquila | Foto: Reprodução/Canva
Mulheres brasileiras vivem mais, mas ainda enfrentam desafios para poupar, investir e garantir uma aposentadoria tranquila | Foto: Reprodução/Canva

Por onde começar quando o orçamento está apertado?

Segundo Bazanella, para que exista uma mudança de mentalidade, antes de qualquer investimento, as mulheres precisam responder algumas questões. “Por que quero esse investimento na carteira?” No caso, desde o início, a aposentadoria deve estar presente’. 

É indicado conhecer os custos e conhecer as características do ativo em que está investindo, com um reconhecimento mais assertivo do que é melhor a longo prazo. ‘’Registrar tudo, tomar a decisão e acompanhar ao longo do tempo é muito importante, o processo é importante e pode ser corrigido (ao longo da vida)’’. E já existem melhores caminhos para quem pensa em guardar e usar na boa hora: ‘’O Tesouro Selic, hoje, substitui muito bem a poupança’’. Para começar a ter mais e guardar, Gisele recomenda ter como o primeiro passo o “limpar o terreno”.

“Sugiro, inicialmente, sair das dívidas caras (cartão de crédito, empréstimos pessoais, cheque especial), porque os juros destas dívidas superam significativamente a rentabilidade dos investimentos acessíveis.”

Como segunda recomendação, não confundir a aposta com investimento, sendo a terceira dica a de criar um hábito, ainda que o valor seja pequeno. “É adequado, antes de pagar as contas, separar uma pequena parcela do que recebe, de acordo com a sua realidade, seja 2, 5, 7 ou 10%, por exemplo, para investimento com foco na aposentadoria.

E mais: é preciso encarar esta parcela como uma obrigação. Um valor pequeno, sustentado por muito tempo, pode ser um bom começo. É como minha nutri fala: melhor fazer 15 minutos de exercícios físicos todos os dias do que não fazer.” Tá dado o recado.

Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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