IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Sobre os jogadores que riram do ritual australiano: a quem interressa a alienação no futebol?

Por

·

Ninguém exige que um jogador de futebol seja doutor em antropologia ou diplomata cultural. A culpa pelo escassez de repertório não é exclusivamente individual. Mas o incômodo permanece: por que o sistema do futebol brasileiro continua operando para manter seus atletas na ignorância?

Enquanto atletas de alta performance em outros mercados — como nos Estados Unidos — são forçados a passar pelo ambiente universitário antes do profissionalismo, o modelo brasileiro prefere a alienação. O sistema molda o atleta para que ele saiba apenas executar uma função física: chutar uma bola, obedecer e não questionar. Resenha ou falta de preparo?

Jogadores brasileiros foram criticados após rirem de um ritual tradicional australiano durante a passagem da equipe pelo país| Foto: Reprodução/Divulgação/Rafael Ribeiro/CBF
Jogadores brasileiros foram criticados após rirem de um ritual tradicional australiano durante a passagem da equipe pelo país | Foto: Reprodução/Divulgação/Rafael Ribeiro/CBF

Rir de um ritual aborígene australiano milenar não é “resenha”. É desrespeito derivado da falta de preparo. O que para um atleta desinformado parece “exótico” ou motivo de piada é, na verdade, a herança sagrada de um povo.

Conectar-se com a fé no vestiário — algo comum nos últimos anos com o livre acesso de lideranças religiosas aos atletas — tem o seu valor individual, mas a formação de um indivíduo não pode se limitar a “fé e futebol”. Falta repertório, falta leitura crítica e falta maturidade internacional para representar um país tão plural quanto o Brasil fora de casa.

O capital intelectual multiplica o valor

Investir em educação financeira, novos idiomas e expansão cultural não tira o foco do campo; pelo contrário, multiplica a estatura do atleta dentro e fora dele. Um jogador mais culto se torna um ativo incomparavelmente mais valioso no mercado global.

A questão central, portanto, deixa de ser o erro individual no vestiário e passa a ser sistêmica: quem ganha mantendo o jogador alienado? Quem lucra em manter atletas bilionários operando apenas como mão de obra física, dependentes e sem repertório para ler o mundo?

A resposta é simples: o atleta que abre os olhos para o mundo passa a questionar contratos, comissões, intermediários e decisões de carreira. Um jogador consciente deixa de ser manipulável e passa a ser dono do próprio destino. E isso apavora a estrutura que vive de explorar essa falta de conhecimento.

Dá tempo de buscarem ser ricos também em intelecto. Afinal, enquanto o desrespeito parecer piada, a pergunta permanece: a quem interessa que vocês continuem sem saber quem está, de fato, rindo por último?

Sobre o autor Ad Junior

Ad Junior é o fundador e Diretor Geral do Super Finanças, é Comunicador e Especialista em Marketing Digital tendo trabalhado como executivo para programas de TV e consultor para várias empresas de mídia e comunicação no Brasil e na Alemanha

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade