O aumento da moeda é reflexo da uma cautela maior dos mercados antes da “Superquarta” de decisões de política monetária

Nesta segunda-feira (18) o dólar teve seu terceiro aumento consecutivo no mercado interno de câmbio, fechando acima de R$ 5,00 pela primeira vez desde outubro do ano passado. Ao final das negociações, registrou um aumento de 0,57%, atingindo R$ 5,0258, após oscilar entre a mínima de R$ 4,9839 e a máxima de R$ 5,0320. A última vez que o dólar ultrapassou a marca de R$ 5 foi em 31 de outubro do ano anterior, quando atingiu R$ 5,0406.
Operadores observaram que hoje foi dia de formação de preços trimestrais no mercado global de derivativos, o que pode ter influenciado na especulação sobre os cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), levando os investidores a reduzirem ou zerarem suas posições em moedas emergentes. O aumento nas taxas dos Treasuries antes da decisão de política monetária do Fed castigou as moedas emergentes, especialmente aquelas de países latino-americanos com taxas de juros elevadas, que apresentaram fortes ganhos em relação ao dólar no ano anterior.
O real teve perdas menores em comparação com o peso mexicano. Além disso, está prevista para esta semana a “Super Quarta”, com decisões do Fed e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e a reunião do Banco Central do México (Banxico), que pode iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros, atualmente em 11,25%.
Inicialmente, o dólar até recuou em relação ao real, impulsionado pela valorização das commodities devido a dados positivos da China e ao resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de janeiro, que sugere uma economia mais forte no início do ano e uma postura mais cautelosa do BC em relação aos cortes de juros.
Com o aumento desta segunda-feira, o dólar acumula uma alta de 1,06% em março e 3,56% no ano. A liquidez foi considerável para o início da semana, com o dólar futuro para abril movimentando mais de US$ 13 bilhões. É amplamente esperado que o Fed mantenha as taxas de juros entre 5,25% e 5,50% nesta semana, enquanto as atenções se voltam para as projeções dos dirigentes sobre os indicadores econômicos e as taxas básicas no final do ano, apresentadas no chamado gráfico de pontos.


