A Forever 21, uma das mais conhecidas marcas de fast fashion, entrou com pedido de falência nos Estados Unidos pela segunda vez em seis anos. O anúncio feito no domingo, 16 de março, marca um momento significativo para o setor de varejo, que enfrenta mudanças profundas com a ascensão do comércio eletrônico e a crescente concorrência de gigantes estrangeiros como Shein e Temu.
Um fim de era para a Forever 21?
A varejista, conhecida por popularizar a moda acessível entre adolescentes e jovens adultos, afirmou que está implementando um “encerramento ordenado” de seus negócios nos EUA.

Embora suas lojas e site continuem operando temporariamente, a empresa planeja vendas de liquidação e busca compradores para seus ativos.
Brad Sell, diretor financeiro da Forever 21, destacou em comunicado oficial que a empresa não conseguiu encontrar um caminho sustentável para o futuro. Entre os desafios enfrentados estão a concorrência de varejistas estrangeiros, custos crescentes e mudanças nos hábitos de consumo.
A declaração reforça a pressão que as grandes redes de lojas físicas sofrem em um mercado cada vez mais digital.
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Impactos da concorrência e da economia
O setor de fast fashion passou por grandes transformações na última década. Durante anos, a Forever 21 foi uma das principais opções para consumidores que buscavam peças da moda a preços acessíveis.
No entanto, a ascensão de empresas como Shein e Temu, que operam de forma quase totalmente digital e oferecem produtos a preços ainda menores, minou sua relevância.
O aumento das tarifas sobre importações chinesas durante o governo Trump também afetou a Forever 21, que dependia de suprimentos de fábricas na Ásia. Além disso, mudanças nas preferências dos consumidores, que agora buscam produtos mais sustentáveis e de maior qualidade, colocaram o modelo de negócio da empresa em cheque.
Problemas internos e estratégias falhas
Analistas apontam que a Forever 21 não apenas sofreu com fatores externos, mas também enfrentou dificuldades internas. Segundo Neil Saunders, especialista da GlobalData Retail, a marca perdeu relevância ao longo dos anos por não definir um posicionamento claro e falhar na curadoria de produtos. “A marca se tornou sem direção e perdeu a conexão com os consumidores mais jovens”, afirmou.
A primeira falência da empresa ocorreu em 2019, resultando no fechamento de 200 lojas e na venda da companhia por US$ 81 milhões (aproximadamente R$ 459.200.000) para um consórcio que incluía as operadoras de shopping Simon Property Group e Brookfield Properties, além da Authentic Brands Group. O objetivo era reestruturar a marca e reduzir a dependência de lojas físicas, mas a estratégia não foi suficiente para garantir a sustentabilidade do negócio.
O futuro da Forever 21
Atualmente, a Forever 21 possui mais de 540 lojas ao redor do mundo. No entanto, sua presença global já foi maior: antes da primeira falência, a varejista contava com cerca de 800 unidades.
A empresa pode sobreviver por meio de acordos de licenciamento, permitindo que sua marca continue no mercado sem a necessidade de operação direta. Segundo especialistas, é possível que investidores do setor de e-commerce e grupos de gestão de marcas demonstrem interesse na aquisição da Forever 21, especialmente por seu reconhecimento global.
Seja qual for o futuro da marca, a queda da Forever 21 reflete uma tendência maior do varejo. Em 2024, mais de 7.300 lojas nos EUA foram fechadas, um aumento de 57% em relação ao ano anterior, segundo a Coresight Research. Entre as empresas afetadas estão redes como Walgreens e CVS.
A segunda falência da Forever 21 simboliza não apenas o declínio de uma marca icônica, mas também a mudança radical no setor de moda. Com a digitalização do varejo e o crescimento de marcas nativas do e-commerce, empresas tradicionais que não se adaptam acabam ficando para trás.
O futuro da Forever 21 ainda é incerto, mas seu impacto no mundo da moda já está consolidado. A questão agora é se a marca conseguirá se reinventar ou se tornará apenas uma lembrança nostálgica para quem cresceu comprando suas peças.
*Entrevistas retiradas da matéria da CNN


