As ações da Embraer registravam forte alta na manhã desta terça-feira, 15 de abril, liderando os ganhos do Ibovespa, impulsionadas por rumores de que a China suspendeu compras de aeronaves da americana Boeing. O movimento chinês pode abrir espaço para a empresa brasileira ampliar sua participação no mercado asiático, o que anima os investidores. Por volta das 11h15, os papéis da Embraer (EMBR3) subiam 3,89%, cotados a R$ 65,17.

O desempenho colocou a empresa como a principal responsável pela valorização do Ibovespa no momento, com contribuição de 117 pontos. As ações ordinárias da fabricante chegaram a avançar mais de 4% no período. O índice principal da B3, por sua vez, registrava leve alta de 0,12%, alcançando 129.611 pontos.
Tensão comercial entre China e EUA beneficia concorrência
A decisão de Pequim foi uma resposta direta à imposição de tarifas de 145% sobre produtos chineses, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a Bloomberg News, que revelou a medida com base em fontes próximas ao governo chinês, as companhias aéreas locais foram instruídas a não aceitarem novas entregas da Boeing e a suspenderem compras de peças e equipamentos de empresas norte-americanas do setor.
O impacto no mercado foi imediato: as ações da Boeing recuaram cerca de 3% no pré-mercado. A China representa um dos mercados mais estratégicos para a fabricante norte-americana, ainda que a europeia Airbus tenha forte presença no país.
Com a interrupção, cresce o custo de manutenção dos aviões Boeing em operação na China, o que pode forçar uma reavaliação por parte das companhias aéreas locais. Nesse cenário, alternativas como Airbus, COMAC (fabricante chinesa) e Embraer ganham espaço como fornecedoras viáveis.
Embraer mantém projeções e vê oportunidades
Durante participação no 11º Annual Brazil Investment Forum, realizado pelo Bradesco BBI em São Paulo, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, minimizou os possíveis efeitos das tarifas americanas sobre os negócios da empresa.
“A Embraer sempre encontrou soluções para desafios complexos e fará o mesmo agora”, declarou o executivo.
A expectativa da fabricante é entregar entre 77 e 85 jatos comerciais e de 145 a 155 jatos executivos ainda este ano, o que representaria crescimento anual de 10% e 15%, respectivamente, com base no ponto médio das projeções.
A companhia também mantém sua meta de alcançar US$ 10 bilhões (R$ 58,8 bilhões) em receitas antes de 2030, sem considerar os ganhos com a Eve, sua subsidiária voltada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL).
Guerra tarifária ameaça comércio global
A recente escalada nas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo reacendeu preocupações entre analistas. A retaliação chinesa, que elevou tarifas de importação sobre produtos dos EUA para 125%, pode prejudicar profundamente o fluxo de mercadorias, que somou mais de US$ 650 bilhões (R$ 3,82 trilhões) em 2024.
Pequim, segundo a Bloomberg, estuda medidas de suporte às companhias aéreas nacionais que alugaram aeronaves da Boeing e enfrentam agora custos adicionais.
Entre 2025 e 2027, as três principais companhias aéreas chinesas – Air China, China Eastern Airlines e China Southern Airlines – têm previsão de receber 45, 53 e 81 aeronaves da Boeing, respectivamente. O novo cenário, porém, pode alterar esse cronograma e abrir caminho para novos acordos com concorrentes internacionais.
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