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Tarifaço eleva custo do suco de laranja em US$ 100 milhões, diz CitrusBR

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O aumento das tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode trazer um grande prejuízo para os produtores brasileiros de suco de laranja. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), essas novas taxas podem causar perdas de cerca de US$ 100 milhões por ano, o que dá mais ou menos R$ 591 milhões, considerando o dólar atual.

O Brasil é o maior fornecedor em escala global de suco de laranja para os Estados Unidos |Foto: Reprodução/Freepik

Esse valor se refere só às vendas feitas para os Estados Unidos, levando em conta a safra de 2024/2025 e a previsão de exportar cerca de 235,5 mil toneladas de suco de laranja concentrado ou congelado (FCOJ) para o país.

Em comparação com a safra anterior, o Brasil vendeu para os EUA o equivalente a US$ 880 milhões (ou R$ 5,2 bilhões) em suco de laranja, mostrando como o país depende bastante desse mercado.

Como vai funcionar a nova tarifa para o Brasil?

Atualmente, os Estados Unidos já cobram uma taxa de US$ 415 por tonelada de suco de laranja importado, o que dá em torno de R$ 2.453,65. Com a nova medida de Trump, vai ser acrescentado um imposto extra de 10% sobre o valor da carga, e esse aumento vale só para o Brasil.

Somando esse novo custo às exportações previstas para 2025, o prejuízo adicional pode chegar a US$ 100 milhões, ou aproximadamente R$ 591 milhões para o setor, aumentando ainda mais os custos das empresas brasileiras.

É importante lembrar que esse novo imposto não substitui o que já existe, ele se soma a ele. De acordo com a CitrusBR, só a tarifa atual de US$ 415 (R$ 2.452,65) por tonelada já gerou um gasto de cerca de US$ 85,9 milhões (R$ 507,9 milhões) em 2024. Com o novo cenário, juntando a tarifa antiga e a nova sobretaxa, o total de impostos que o setor vai ter que pagar pode chegar a US$ 200 milhões por ano, ou cerca de R$ 1,1 bilhão.

Estados Unidos são o maior comprador do suco de laranja do Brasil

Os Estados Unidos têm um papel muito importante no mercado brasileiro de suco de laranja. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), organizados pela CitrusBR, os EUA compram 37% de todo o suco de laranja que o Brasil vende para outros países, sendo o maior destino do nosso produto.

Entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Brasil enviou para os EUA cerca de 207,2 mil toneladas de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ 66 Brix). Essas vendas renderam US$ 879,8 milhões, o que dá mais ou menos R$ 5,2 bilhões.

Até 2023, o Brasil exportava cerca de 1 bilhão de litros de suco de laranja por ano para os EUA. Mas, com a nova tarifa, a expectativa é que esse número caia bastante, para 261 milhões de litros. Isso representa uma queda de 743 milhões de litros, o que pode prejudicar muito os produtores e exportadores brasileiros.

Produtores brasileiros criticam a decisão dos EUA

Em nota oficial, a CitrusBR demonstrou grande preocupação com a decisão dos Estados Unidos. A entidade reforçou que as empresas brasileiras continuam empenhadas em fornecer suco de laranja de qualidade para o mercado americano, mantendo suas estratégias e relações de longa data com parceiros dos EUA.

Mas lamentou que essa medida tenha sido tomada sem considerar a parceria histórica entre o Brasil e a Flórida — estado americano que, sozinho, não consegue atender toda a demanda dos EUA —, nem as boas relações construídas com as empresas que engarrafam e distribuem o suco por lá.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já tinha avisado antes sobre o risco de o suco de laranja ser um dos produtos mais atingidos pelo “tarifaço” de Trump. Segundo a CNA, o Brasil é responsável por cerca de 90% do suco de laranja resfriado e por 51% do suco congelado que os Estados Unidos consomem.

Como a medida beneficia os produtores americanos?

Embora a nova tarifa imposta ao Brasil seja inferior às aplicadas a outros países — como os asiáticos e europeus —, o acréscimo de custos para o produto brasileiro acaba por beneficiar diretamente os produtores locais dos Estados Unidos. Eles ganham em competitividade ao ver o principal concorrente global enfrentar dificuldades para manter seus preços competitivos no maior mercado consumidor do mundo.

Atualmente, o Brasil é praticamente o único fornecedor em escala global de suco de laranja para os Estados Unidos. A concorrência internacional é bastante limitada, o que torna as exportações brasileiras ainda mais vulneráveis às políticas comerciais do governo americano.

Queda nas cotações internacionais agrava a situação

Além do impacto direto das tarifas, o setor já vem enfrentando desafios adicionais no cenário internacional. Na Bolsa de Nova York, principal referência mundial para o preço do suco de laranja, os contratos futuros do produto acumulam uma queda superior a 50% desde o pico registrado em setembro de 2024.

Esse movimento de desvalorização pressiona ainda mais as margens de lucro dos exportadores brasileiros, tornando a nova tarifa um fator agravante em um ambiente que já se mostrava adverso. A combinação de queda nas cotações e aumento dos custos de exportação levanta sérias preocupações sobre a sustentabilidade das exportações brasileiras de suco de laranja para os Estados Unidos nos próximos anos, ameaçando não apenas a rentabilidade do setor, mas também sua presença no mercado global.

Leia também: Quais produtos o Brasil mais compra e vende aos EUA?

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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