IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Consumo de café cai 16%, diz associação da indústria

Por

·

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulgou nesta quinta-feira, 22 de maio, em São Paulo, dados que indicam uma queda expressiva no consumo de café no país. De janeiro a abril de 2025, as vendas somaram 4.753.766 sacas de 60 quilos, uma retração de 5,13% em comparação ao mesmo período de 2024, quando foram comercializadas 5.010.580 sacas.

Consumo de café no Brasil registra queda histórica em abril
Os dados indicam que, após altas em janeiro (1,26%) e fevereiro (0,89%), as vendas recuaram 4,87% em março, na comparação com o mesmo mês de 2024 |Foto: Reprodução/Wikimedia

A diminuição foi mais acentuada em abril, quando o volume vendido caiu 15,96% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo a Abic, os dados referem-se ao consumo no varejo, que representa entre 73% e 78% do consumo interno brasileiro.

O recuo ocorre em meio à forte alta dos preços: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o café ficou 80% mais caro entre abril de 2024 e abril de 2025, configurando a maior inflação registrada para o produto nos últimos 30 anos.

Pressão sobre preços e retração no consumo

A elevação dos preços foi provocada por uma combinação de fatores. Eventos climáticos extremos, como secas e ondas de calor que afetam as lavouras há pelo menos quatro anos, prejudicaram a produção nacional e encareceram a matéria-prima em até 224% para a indústria. Para o consumidor, isso resultou em um aumento acumulado de 110% no preço do café desde o início deste ciclo climático adverso.

Além disso, a menor oferta global também pressionou os preços. Países tradicionalmente exportadores, como o Vietnã, sofreram quebras de safra decorrentes de problemas climáticos. O aumento do custo logístico, em razão de conflitos no Oriente Médio que encareceram o transporte internacional, também afetou negativamente os preços.

Outro fator citado pela Abic e por especialistas é o crescimento do consumo internacional, impulsionado, entre outros motivos, pela entrada da China no mercado global do café. O resultado é uma redução da oferta interna e, consequentemente, um impacto sobre os preços e o consumo no Brasil.

Ainda segundo o levantamento, os diferentes tipos de café foram impactados de forma desigual pela alta de preços. O café solúvel foi o que mais sofreu, com aumento de 85% em relação ao mesmo período de 2024. O café gourmet teve alta de 56%, seguido pelo tradicional e extraforte, ambos com elevação de 50%. Já o café especial apresentou incremento de 42,3% e o superior, de 29%.

Queda gradual culmina em retração histórica

Os dados mostram que, apesar de o quadrimestre ter começado com números positivos, com crescimento de 1,26% nas vendas em janeiro e de 0,89% em fevereiro, os sinais de queda surgiram já em março, quando as vendas recuaram 4,87% em relação ao mesmo mês de 2024.

Em abril, a retração se intensificou: o consumo despencou quase 16% frente ao mesmo período do ano passado, refletindo tanto o esgotamento do poder de compra do consumidor diante dos preços elevados quanto o completo repasse dos custos pela indústria.

De acordo com especialistas do setor, a volatilidade do mercado deve continuar afetando tanto produtores quanto consumidores nos próximos meses. A expectativa é que a oferta permaneça limitada, em razão da previsão de novos episódios climáticos extremos, como geadas, que podem comprometer ainda mais a próxima safra brasileira.

A Abic ressaltou ainda que o cenário internacional continuará influenciando o mercado interno. Com a demanda externa aquecida, sobretudo na Ásia, o Brasil deve seguir priorizando as exportações, o que pode manter a pressão sobre os preços domésticos e dificultar uma recuperação rápida do consumo interno.

Para o consumidor final, esse cenário representa a continuidade de preços elevados e um possível ajuste nos hábitos de consumo, com maior procura por alternativas mais acessíveis ou pela redução do volume adquirido. Já para os produtores e a indústria, o desafio será equilibrar a necessidade de manter a competitividade no mercado global com a preservação do mercado interno, historicamente um dos principais pilares da cafeicultura nacional.

Leia também: Governo aumenta para 2,4% estimativa do PIB para 2025

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade
Publicidade