O comportamento da Geração Z, jovens nascidos entre 1997 e 2007, continua sendo um enigma para empresas que enfrentam dificuldade em engajar e reter esses profissionais. No entanto, um novo levantamento da EY (Ernst & Young) pode ajudar a mudar esse cenário.
O relatório EY Global Generations Report 2025, baseado em uma pesquisa com 22 mil pessoas em 22 países, trouxe insights valiosos sobre como os jovens pensam sobre carreira, remuneração, propósito e sucesso.
Em entrevista a Forbes, Marcie Merriman, líder global de People Advisory Services da EY, explica que ainda há um descompasso entre o que os líderes oferecem e o que esses profissionais buscam. “A Geração Z mede o sucesso pela saúde mental, impacto gerado e autenticidade no trabalho. Dinheiro é importante, mas não é tudo”, afirma.
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Segurança financeira é importante, mas não basta
De acordo com o relatório, apenas 31% dos respondentes da Geração Z se sentem financeiramente seguros. Quase 90% priorizam segurança financeira, mas apenas dois terços desejam “ficar ricos”. Isso mostra que, para a nova geração, sucesso tem múltiplas dimensões.
Eles valorizam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, propósito no que fazem e um ambiente que respeite sua individualidade. É por isso que programas de incentivo tradicionais, baseados apenas em salário e promoções, não são mais suficientes.
Transparência: o novo “vale-refeição”
A transparência corporativa é uma das exigências mais fortes da Geração Z. Segundo a pesquisa, 84% deles acreditam que ser autêntico é essencial. Isso vale tanto para o colaborador quanto para a empresa: falar abertamente sobre metas, desafios, remuneração e valores é fator de atração.
Merriman destaca que empresas que se comunicam com honestidade têm mais chances de reter talentos. Isso significa ir além do marketing institucional e mostrar, na prática, como os valores da companhia orientam decisões e comportamentos.
Redefinindo o sucesso: crescimento, impacto e saúde mental
A pesquisa revelou ainda que os jovens querem ser desafiados, mas com propósito. “Eles querem trabalhar em ambientes que os façam crescer e onde possam causar impacto. E isso começa no onboarding”, disse a executiva da EY.
Isso exige que os gestores saiam do papel tradicional de comando e assumam uma postura de mentoria e inspiração, criando planos de desenvolvimento individualizados. Empresas que oferecem experiências de aprendizado, autonomia e projetos com significado tendem a ser vistas como parceiras, não apenas empregadoras.
O dinheiro não é tabu
A Geração Z quer e exige clareza sobre remuneração. Falar sobre salário, benefícios, bônus e critérios de promoção é visto como respeito, não arrogância.
Esse é um ponto de atrito com gerações anteriores, como os Millennials e os Baby Boomers, que cresceram em ambientes onde falar de dinheiro era malvisto. Para os mais jovens, transparência financeira é sinônimo de justiça.
Segundo Merriman, esconder valores salariais ou aplicar regras subjetivas na progressão de carreira pode corroer a confiança e aumentar a rotatividade. Para conquistar esse público, é preciso abrir o jogo.
Processo seletivo é via de mão dupla
Um dos conselhos mais diretos da executiva para quem quer se destacar no processo seletivo: vá com a mentalidade de quem quer apoiar a empresa, não apenas ser apoiado.
“É fundamental que o candidato entenda como pode somar à cultura e aos objetivos da companhia”, diz Merriman. Em outras palavras: os jovens devem se apresentar de forma autêntica, e as empresas precisam retribuir com clareza sobre o que esperam de um colaborador.
Aceitação e empatia: os novos diferenciais corporativos
A Geração Z não quer máscaras, nem rituais. Busca empresas que promovam aceitação, diversidade, diálogo aberto e inclusão. E isso só é possível com ambientes onde vulnerabilidades possam ser discutidas com empatia e onde erros não sejam punidos com desconfiança.
Esse grupo quer empresas que se pareçam com suas vidas: menos hierarquia, mais colaboração, menos discurso, mais prática. Ambientes com rigidez excessiva ou falta de escuta ativa perdem atratividade.
Oportunidade para empresas brasileiras
No Brasil, os desafios são ainda maiores. Dados do IBGE (junho de 2025) mostram que 25,8% dos jovens entre 18 e 24 anos estão fora do mercado formal, enquanto muitos dos que trabalham enfrentam subemprego, jornadas exaustivas e baixa remuneração.
Essa desconexão entre expectativa e realidade evidencia a urgência de mudanças nas práticas de RH. Adotar políticas mais transparentes e ambientes com propósito pode ser o diferencial para empresas que querem atrair os melhores talentos da nova geração.
A Geração Z já não é o “futuro do trabalho”, ela é o presente. Com expectativas claras e valores mais amplos, os jovens pedem que as empresas repensem suas estratégias de comunicação, liderança e cultura.
Para gestores e empresários, a lição é simples: quem quiser atrair e reter talentos dessa geração precisa começar a escutar e agir com mais verdade, empatia e propósito.


