Poucas marcas no mundo conseguem ocupar espaços tão distintos como o da “cesta básica” do brasileiro e as passarelas da moda internacional. A Havaianas, tradicionalmente associada ao chinelo de dedo, fez dessa dualidade uma estratégia de crescimento.
Em 2025, a empresa intensificou suas ações de posicionamento como marca de lifestyle, fortalecendo sua presença em diferentes mercados e expandindo o alcance com parcerias globais.

Resultados financeiros em alta
A Alpargatas, dona da Havaianas, registrou no segundo trimestre de 2025 um lucro líquido de R$ 87 milhões. O número representa alta superior a 270% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram vendidos 49 milhões de pares em todo o mundo entre abril e junho, com destaque para mercados internacionais estratégicos. Na Europa, o volume cresceu 6%, enquanto nos Estados Unidos a expansão foi de 30%, de acordo com balanço divulgado pela companhia.
Celebridades e colaborações
O fortalecimento da imagem da marca no exterior contou com estratégias de marketing centradas em parcerias de peso. Em maio de 2025, a Havaianas anunciou a modelo Gigi Hadid como sua primeira embaixadora global. Pouco depois, as sandálias apareceram nos pés de Kylie Jenner durante o verão europeu, aumentando a exposição internacional.
[instagram url=https://www.instagram.com/p/DKUg5ntxrLV/”]
A marca também apostou em colaborações com grandes nomes da moda. A parceria com a Dolce & Gabbana levou às lojas modelos que chegaram a custar R$ 700 e esgotaram rapidamente. Outras parcerias com marcas como Zara, Bape e Mastermind reforçaram a conexão com o público jovem e de street style.
A estratégia dos hotspots da Havaianas
A estratégia de hotspots (local estratégico e de grande visibilidade) da Havaianas foca em ações em locais estratégicos para fortalecer a marca globalmente. Em vez de simplesmente abrir lojas, a empresa busca estar em pontos de grande visibilidade e circulação que se conectam com o seu DNA.
Um exemplo claro é a parceria com o Copacabana Palace, onde a Havaianas criou um clube de praia. Essa ação coloca a marca em um dos pontos mais icônicos e turísticos do Rio de Janeiro. Isso não só aumenta a visibilidade, mas também reforça a associação da Havaianas com o turismo e um estilo de vida de lazer e verão.
A ideia, segundo a diretora de marketing, Maria Fernanda Albuquerque, é levar essa tática para outros países. O objetivo é replicar o sucesso brasileiro em mercados importantes como Itália, Coreia e Indonésia, escolhendo locais que tenham o mesmo impacto e que ajudem a construir a imagem da marca internacionalmente.
Leia também: Investir não é seguir a moda: descubra como alinhar seus investimentos aos seus objetivos
Popular e aspiracional
O reposicionamento da marca não significa o abandono da essência democrática. Os chinelos seguem sendo vendidos a partir de R$ 20 em supermercados brasileiros, mesmo com produtos premium que alcançam valores mais altos. “Temos dois pilares fundamentais: a identificação, que é nossa conexão olho no olho com todo brasileiro; e a aspiração, quando elevamos a marca, mostrando que ela está conectada com o mundo da moda”, disse Maria Fernanda em entrevista à Forbes Brasil.
A executiva reforça que a estratégia não se resume ao luxo, mas ao equilíbrio entre alcance popular e imagem aspiracional. O case mais comentado no Brasil neste ano foi a colaboração com o Corinthians, clube de futebol de massa, demonstrando como a marca busca atuar em diferentes frentes de público.
Inovação e tecnologia
A Havaianas também tem apostado em tecnologia como forma de reforçar sua presença no mercado global. Uma parceria com a startup alemã Zellerfeld resultou no lançamento do primeiro chinelo 3D da marca. O produto é feito sob medida para cada cliente a partir do escaneamento dos pés, trazendo exclusividade e inovação ao portfólio.
Presença internacional
Hoje, os principais mercados da Havaianas incluem Austrália, Filipinas, Indonésia e Tailândia. Na Europa, a Itália se destaca como maior consumidor, seguida por Espanha, Portugal, Reino Unido e França. A Grécia também apresenta crescimento expressivo.
Nos Estados Unidos, apesar de ainda estar em fase de consolidação, a empresa pretende acelerar a expansão. A escolha de Gigi Hadid como embaixadora faz parte dessa estratégia de inserção, já que a modelo tem grande influência no mercado americano.
Próximos passos
A companhia planeja seguir ampliando sua atuação em moda e lifestyle, com novas collabs, lançamentos de produtos diferenciados e ações culturais. Sustentabilidade também aparece na agenda, com foco em novas tecnologias e materiais.
Com quase seis décadas de história, a Havaianas busca manter a relevância no mercado brasileiro enquanto amplia sua presença global. O desafio está em continuar sendo um ícone popular e, ao mesmo tempo, objeto de desejo em diferentes segmentos da moda internacional.


