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China compra soja da Argentina após suspensão de imposto, e EUA perdem espaço no mercado

Empresas da China fecharam a compra de dez carregamentos de soja da Argentina logo depois de o governo do presidente Javier Milei anunciar a suspensão temporária dos impostos de exportação sobre vários produtos agrícolas. A medida foi divulgada na segunda-feira, 22 de setembro, e movimentou imediatamente o comércio internacional do grão.

China compra soja da Argentina
Cada navio contratado leva cerca de 65 mil toneladas de soja. As cargas devem ser embarcadas em novembro | Foto: Reprodução/ Canva

A notícia foi revelada pela agência Reuters, que conversou com traders envolvidos na operação.

Impacto para a Argentina

A venda representa uma entrada importante de dólares para a economia argentina, que enfrenta dificuldades e forte pressão sobre o peso, sua moeda. Como os exportadores estão temporariamente livres do imposto, os produtores de soja recebem, em pesos, 25% a mais por cada dólar obtido nas vendas ao exterior. Esse aumento de receita pode ajudar a dar algum fôlego ao campo argentino e, ao mesmo tempo, ao governo de Milei, que busca reforçar as reservas internacionais.

Impacto para os Estados Unidos

Se a compra beneficia a Argentina, ela significa perda para os agricultores dos Estados Unidos. Os produtores americanos costumam vender grandes volumes de soja para a China, mas agora estão ficando de fora em plena temporada de exportações, quando esperavam faturar bilhões de dólares.

A ausência de negócios entre os dois países tem ligação com a guerra tarifária. Desde que Washington e Pequim entraram em conflito comercial, a soja dos EUA passou a ser taxada com uma tarifa extra de 20% na China. Isso encareceu o produto e fez empresas chinesas reduzirem suas compras de origem americana.

Um detalhe chama atenção: os Estados Unidos vinham tentando se aproximar do governo Milei e até sinalizaram apoio econômico. Ainda assim, a China, ao comprar soja da Argentina, enfraquece o peso dos americanos no comércio internacional do grão.

A força da China no mercado

A China é a maior importadora de soja do mundo. Suas compras influenciam diretamente os preços globais e a movimentação de exportadores. Recentemente, o país ampliou não só os pedidos vindos da Argentina, mas também do Brasil.

De janeiro a março, as importações chinesas de soja brasileira cresceram 34%, alcançando 6,7 bilhões de dólares. A preferência por fornecedores da América do Sul vem ganhando espaço desde antes da guerra comercial com os EUA.

Nos últimos meses, a China também aumentou seu estoque de soja, trazendo recordes de importação em maio, junho, julho e agosto. Essa estratégia funciona como uma espécie de reserva de segurança, garantindo suprimento mesmo em caso de problemas futuros.

EUA perdem terreno

Os dados mostram o tamanho da mudança. Pela primeira vez desde os anos 1990, a China não comprou soja dos Estados Unidos no início da nova temporada de exportações, que começou em setembro. Informações do Departamento de Agricultura dos EUA confirmam que até o dia 11 daquele mês não havia nenhum carregamento reservado, algo inédito desde 1999.

No ano passado, os chineses haviam comprado um quinto de toda a soja que exportada pelos Estados Unidos, no valor de mais de 12 bilhões de dólares. Esse montante representava mais da metade de todas as vendas externas de soja americana.

Agora, o cenário é diferente. O espaço que antes era ocupado pelos agricultores dos EUA está sendo tomado por Brasil e Argentina, que vendem grandes volumes do grão para a Ásia.

Novos passos da relação China-Argentina

Além da compra de soja em grão, a China fez um movimento importante no mercado de farelo de soja. Esse produto, usado principalmente na ração de animais, é uma especialidade da Argentina, maior exportadora mundial do item.

Pequim autorizou a importação do farelo argentino em 2019, mas até junho deste ano não tinha concretizado nenhuma compra. Só então, em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, aconteceu a primeira operação.

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