O esporte brasileiro não se sustenta apenas na emoção das competições: hoje, ele é parte relevante da economia nacional. Em 2023, o setor movimentou R$ 183,4 bilhões, equivalente a 1,69% do PIB, segundo estudo do Instituto Sou do Esporte com apoio do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Esse dado revela um mercado que cresce em ritmo constante, mas que ainda enfrenta desafios de governança, profissionalização e sustentabilidade financeira.
É nesse contexto que acontece a COB Expo 2025, entre os dias 24 e 28 de setembro, em São Paulo. Mais do que um encontro de atletas, confederações e marcas, o evento se coloca como espaço para refletir sobre como transformar o potencial econômico do esporte em desenvolvimento efetivo.

Os números do setor
O segmento esportivo emprega cerca de 3,3 milhões de pessoas de forma direta e indireta. A maior fatia vem do comércio de artigos esportivos (52% do total), seguida por atividades recreativas (25%), indústria (13%) e mídia/publicidade (7%). Apenas os clubes esportivos movimentaram R$ 8,081 bilhões em 2023.
Apesar da representatividade, especialistas destacam que parte relevante da economia do esporte ainda não é mensurada, como os e-sports, o turismo esportivo, as apostas e a hospitalidade — áreas que crescem em alta velocidade e ampliam o alcance do setor.
O painel sobre esporte como negócio
Um dos momentos mais aguardados da programação será o painel “Esporte como negócio: como tornar entidades esportivas financeiramente sustentáveis”, que reflete um dos maiores desafios do setor: reduzir a dependência histórica de recursos públicos e ampliar as fontes de receita.
Participam da discussão Marcelo Vido, diretor do Comitê Olímpico do Brasil; Geraldo Campestrini, gestor esportivo do COB; Ricardo Cacho Resende, diretor-geral da Confederação Brasileira de Ginástica; Carlos Augusto Ribeiro Ferreira Braga, presidente do conselho do Praia Clube; e André Camargo Kfouri, comentarista da ESPN.
Com experiências que vão da administração de clubes à gestão de confederações e ao olhar crítico da mídia especializada, o painel deve discutir caminhos concretos para tornar entidades esportivas mais profissionais, diversificadas em receita e preparadas para o futuro.
O legado olímpico em debate
A edição deste ano também traz à cena a reflexão sobre legado, simbolizada pela presença de Carl Lewis, um dos maiores nomes da história do atletismo. O norte-americano conquistou nove medalhas de ouro olímpicas, dominou o salto em distância por quatro Jogos consecutivos e estabeleceu recordes que redefiniram os limites da velocidade.
Sua trajetória não se resume a conquistas esportivas: ela mostra como o desempenho em alto nível pode se converter em impacto cultural e econômico global. Ao incluí-lo na programação, a COB Expo abre espaço para pensar o futuro do esporte brasileiro à luz de exemplos que transformaram modalidades inteiras em ativos mundiais.
Reflexões necessárias
O debate sobre sustentabilidade financeira acontece em paralelo a outro dado relevante: 74% dos atletas brasileiros não tiveram apoio financeiro na infância, segundo pesquisa da Serasa. A estatística reforça a urgência de criar estruturas de base sólidas, que democratizem o acesso e sustentem o ciclo virtuoso entre esporte, educação e economia.
“A COB Expo é uma oportunidade única para a troca de conhecimento, networking e experiências enriquecedoras para todos os profissionais e apaixonados pelo esporte”, afirma Manoela Penna, diretora de Comunicação e Marketing do COB.
Combinando números atuais, discussões estratégicas e exemplos de legado, a COB Expo 2025 se apresenta não apenas como um evento do calendário olímpico, mas como um fórum essencial para compreender o lugar do esporte na economia brasileira.


