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Falta de profissionais se torna um dos maiores desafios do mercado brasileiro

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Um levantamento inédito da Fundação Getúlio Vargas – Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE), divulgado em 2026, mostra que 62,3% das empresas brasileiras afirmaram encontrar dificuldades para contratar ou manter profissionais. A questão se intensificou principalmente na construção civil, comércio e serviços, refletindo um mercado de trabalho aquecido e uma oferta insuficiente de profissionais com as competências exigidas pelas empresas.

O fenômeno ocorre justamente quando o Brasil registra uma das menores taxas de desemprego da história recente. Com mais pessoas empregadas, diminui naturalmente o número de trabalhadores disponíveis para novas vagas, tornando a concorrência entre empresas ainda mais intensa.

Construção civil lidera o ranking de escassez no mercado, com 69,1% das empresas relatando dificuldades para contratar e reter profissionais qualificados |Foto: Reprodução/ Unsplash
Construção civil lidera o ranking de escassez no mercado, com 69,1% das empresas relatando dificuldades para contratar e reter profissionais qualificados |Foto: Reprodução/ Unsplash

Setores mais afetados pela falta de trabalhadores

Segundo os dados consolidados, a escassez atinge praticamente todos os segmentos econômicos, registrando uma média geral de 62,3% de dificuldade para contratar ou reter funcionários em todo o mercado nacional.

A organização dos setores mais pressionados apresenta o seguinte cenário:

  • Construção civil (69,1%): Permanece na liderança do indicador como o setor mais pressionado. A retomada de obras públicas, os investimentos privados e a expansão imobiliária elevaram significativamente a demanda por profissionais como pedreiros, mestres de obras, eletricistas, encanadores, soldadores e operadores de máquinas;
  • Comércio (65,5%): Registra o segundo maior índice de dificuldade. Segmentos como supermercados, atacadistas, varejo e centros logísticos convivem com a complexidade para preencher vagas operacionais, um problema acentuado especialmente nos grandes centros urbanos;
  • Serviços (64,8%): Acompanhando de perto o comércio, o setor é responsável por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Os principais obstáculos de contratação concentram-se nas áreas de hotelaria, alimentação, transporte, tecnologia da informação, saúde e atendimento ao consumidor;
  • Indústria de transformação (52,3%): Embora apresente o menor índice entre os segmentos analisados, ainda afeta mais da metade das empresas do setor, refletindo um cenário de descompasso na oferta de mão de obra.

Indústria vive “apagão” de profissionais qualificados

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a falta de profissionais qualificados tornou-se o quarto maior entrave para o setor industrial, atrás apenas da elevada carga tributária, dos juros elevados e da baixa demanda interna. Antes da pandemia, esse fator aparecia entre os menos relevantes para os empresários; atualmente, é citado por cerca de 23% das indústrias brasileiras.

Em áreas técnicas, a situação é ainda mais crítica. A carência de técnicos industriais, operadores de máquinas, profissionais de manutenção e especialistas em automação faz com que muitas empresas precisem investir na formação interna dos funcionários antes mesmo de iniciarem suas atividades.

Empresas mudam estratégias para atrair profissionais

Diante da dificuldade de contratação, as empresas vêm adotando novas estratégias para aumentar sua competitividade na disputa por talentos. As principais medidas adotadas pelas organizações são:

  • Investimento em capacitação interna: Alternativa escolhida por 43,4% das empresas consultadas;
  • Oferta de mais benefícios: Implementada por 36,2% dos negócios no mercado;
  • Mudança de processos: Adotada por 24,9% das corporações para reduzir a dependência de mão de obra;
  • Aumento salarial: Ações voltadas diretamente para a remuneração, aplicadas por 18,9% das organizações;
  • Realocação de colaboradores: Remanejamento interno utilizado por 18,7% das empresas.

Além dessas iniciativas estruturais, o mercado também registra o crescimento de programas de trainee, aprendizagem, formação técnica em parceria com instituições de ensino, automação de processos e flexibilização das jornadas de trabalho.

Efeito na economia

A escassez de mão de obra produz efeitos que vão além das empresas. A dificuldade para preencher vagas pode limitar investimentos, reduzir a produtividade, atrasar projetos e aumentar os custos operacionais.

Com menos profissionais disponíveis, empresas disputam trabalhadores oferecendo salários maiores e pacotes de benefícios mais atrativos, o que pressiona os custos de produção e pode ser parcialmente repassado aos preços finais de bens e serviços.

Ao mesmo tempo, a necessidade de qualificação permanente impulsiona investimentos em educação profissional, treinamento corporativo e inovação tecnológica, fatores considerados essenciais para aumentar a produtividade da economia brasileira nos próximos anos.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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