A Time For Fun (T4F), uma das principais empresas de entretenimento ao vivo do Brasil, concluiu o processo para deixar a Bolsa de Valores brasileira. Depois de cerca de 15 anos com ações negociadas na B3, a empresa passa a ser fechada e não terá mais seus papéis disponíveis para compra e venda no mercado.
A mudança foi aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que acompanha e fiscaliza o mercado de investimentos no Brasil. Com a decisão, a T4F também deixa o Novo Mercado, grupo da B3 que reúne empresas que seguem regras específicas de transparência e de relacionamento com os acionistas, pessoa ou empresa que possui ações.

O processo começou em março de 2026, quando Fernando Luiz Alterio, fundador e controlador da empresa, anunciou uma oferta para comprar as ações que ainda estavam nas mãos de outros investidores. A proposta inicial era pagar R$ 5,59 por ação.
Dono comprou a maior parte das ações
As ações são pequenas partes de uma empresa. Quando uma companhia coloca ações à venda na Bolsa, pessoas e empresas podem comprar esses papéis e se tornar donas de uma pequena parte do negócio.
No caso da T4F, Fernando Luiz Alterio já era o principal dono da empresa e a oferta feita em março tinha como objetivo comprar as ações que continuavam com outros acionistas e, com isso, retirar a empresa da Bolsa.
Em julho, a oferta conseguiu a quantidade mínima de adesões necessária para seguir adiante. Alterio comprou cerca de 1,95 milhão de ações garantindo 58,1% das ações que estavam nas mãos de outros investidores e a mais de 82% das ações que davam direito a voto.
O valor pago, porém, foi maior que o inicialmente anunciado. Cada ação foi comprada por R$ 6,02. O preço inicial de R$ 5,59 foi atualizado com base na taxa básica de juros da economia, a Selic. Com a compra, o grupo que controla a T4F passou a ter cerca de 79,1% de todas as ações da empresa.
Por que a T4F está deixando a Bolsa?
A empresa informou que o objetivo do processo era deixar de ser uma companhia com ações negociadas publicamente e também sair do Novo Mercado. A decisão faz parte de um movimento que também tem sido observado em outras empresas. Entre os motivos citados estão os custos para manter uma empresa na Bolsa e a baixa quantidade de negociações de algumas ações.
Quando uma ação tem pouca procura, pode ser mais difícil para o dono vender seus papéis rapidamente pelo preço que considera adequado. Esse movimento de compra e venda é o que permite aos investidores negociar suas participações nas empresas.
O que acontece com quem ainda tem ações?
Mesmo depois da compra feita por Alterio, ainda existem ações da T4F nas mãos de outros acionistas. Por isso, a empresa pretende convocar uma assembleia extraordinária para decidir o que será feito com esses papéis.
Nesse encontro, será discutida a compra obrigatória das ações que ainda estiverem com os acionistas que não fazem parte do grupo controlador. A legislação permite esse procedimento quando menos de 5% das ações da empresa continuam nas mãos desses investidores.
A ideia é concluir a retirada das ações que ainda estiverem em circulação e finalizar a mudança da T4F para uma empresa fechada.
No mercado desde 2011, as ações da T4F acumularam uma queda de cerca de 96% até o processo de saída da Bolsa.


