Criação artística também passa pelo empreendedorismo
“Ser um artista e um empreendedor tem as mesmas qualidades para criar, inovar. Tem limitações que você precisa suportar. Eu acho que o empreendedor é um artista que tem que trabalhar com o dinheiro”, declarou David.
Já Clayton lembrou de sua infância e juventude, em que a falta de representatividade negra na mídia o fez entender que precisava criar seu próprio espaço. Ele, além de autor de teatro, também foi um dos responsáveis pelo “Falas Negras”, programa da TV Globo que enfocou a representatividade negra.
Para Clayton, o papel do Estado é promover formação e distribuição justa de verba para suporte financeiro aos projetos culturais de artistas. Como exemplo, ele citou que sua peça “Macacos”, sucesso de público e crítica, que já rodou o Brasil e mais 10 países, foi escrita em 2015 e encenada apenas em 2021. O motivo da demora? Falta de verba. Ele explica que a produção só foi realizada quando o orçamento saiu de 200 mil reais para 50 mil.
O debate também abordou o uso da inteligência artificial na criação artística. Para David Wilson, ela pode resolver diversos problemas. “Imagina se as pessoas pretas, pobres, aprenderem a usar a IA para criar soluções que elas precisam? Imagina como a gente pode usar para as coisas boas. O Brasil tem uma grande oportunidade”, acredita Wilson.
Já o ator brasileiro lembrou que a IA nunca irá substituir o afeto humano, como o streaming não acabou com o teatro, arte clássica, criada sete mil anos atrás. Ele entende seu futuro como lugar de novas ideias, que só serão possíveis graças ao desenvolvimento que a ele foi democratizado.


