A plenária desta quinta-feira, seis de agosto, terceiro dia da Rio Innovation Week (RIW), reservou um dos momentos mais aguardados do evento: o encontro entre o americano Aaron Ross, autor best-seller de negócios, e a brasileira Camila Farani, uma das maiores investidoras anjo mulheres da América Latina. Juntos, eles subiram ao palco para a mesa “Múltiplas Fontes Previsíveis de Receita”, mediada pela jornalista Maíra Donnici, que também dá nome ao livro lançado pelos dois. A conversa apresentou estratégias para criar diferentes fontes de renda e tornar um negócio mais resiliente.

De uma crise pessoal a uma parceria internacional
Aaron abriu a conversa contando como o livro nasceu de um cruzamento entre vocação e circunstância. “Eu tive essa clareza que sou uma pessoa que ama escrever livros e gosta de vender”, afirmou. Ele lembrou que já vinha acumulando ideias havia tempo, até receber um estímulo decisivo de um parceiro de longa data: “Tinha um parceiro antigo que me mandou um e-mail: ‘É uma ótima ideia’.”
Mas o caminho até o título final não foi direto. Segundo ele, a primeira tentativa não funcionou: “O título do livro foi ruim.” O projeto só ganhou forma definitiva em um momento de virada pessoal — “foi resultado de uma crise na minha vida” — combinado a um sentimento que o aproximou do Brasil e, consequentemente, de Camila.
Foi esse encontro que deu origem à obra que os dois apresentam agora ao público brasileiro — e que, em breve, trará Aaron pessoalmente ao país.
Camila Farani: patrimônio se constrói com método
Camila assumiu o microfone para falar sobre um problema que, segundo ela, é mais comum do que se imagina: a dificuldade das pessoas em acumular patrimônio. “As pessoas não constroem patrimônio porque não sabem construir”, resumiu.
Ela contou que o convite de Aaron para o projeto a fez repensar a própria trajetória, mesmo indo na contramão do discurso tradicional do empreendedorismo:
“Quando veio o convite do Aaron, que veio na contramão do empreendedorismo, olhei pra minha vida. Tinha ideia de chegar aos 40, de estar aposentável. Só consegui com 52, e ainda assim, não vou me aposentar.”
Para a investidora, o conceito de múltiplas fontes de receita vai além de diversificar ganhos. “Muito além de ter previsibilidade, é construir sua vida para os anos que você vai estar mais cansado”, afirmou. E foi enfática sobre o peso emocional da instabilidade financeira: “Não tem nada que tire mais o sono das pessoas do que a situação financeira.”
A eterna jurada do Shark Tank deixou uma recomendação prática e direta à plateia: “Garanta pelo menos 24 meses de receita. Se não, entra numa piração, cria startup, unicórnio.” Sobre o próprio livro, fez questão de gerenciar expectativas: “Vai ler a ‘Receita Previsível’ e não, não é fácil — é um livro no modelo americano. Você pode fazer, mas não quer dizer que não tem uma segunda opção.”


