O indicado de Donald Trump para chefiar a Nasa, Jared Isaacman, vai defender nesta quarta-feira, 9 de abril, que a agência espacial foque em levar astronautas para Marte. Em uma audiência no Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado dos EUA, o bilionário de 42 anos também deve admitir que a maioria dos projetos da Nasa está atrasada e custando mais do que o previsto. Ele chamou essa situação de “desanimadora”.
No texto que entregou aos senadores, Isaacman disse que, ao focar em Marte, os Estados Unidos vão acabar também criando as condições para voltar à Lua. Lá, será possível avaliar os benefícios científicos, econômicos e de segurança de manter uma presença constante. Para ele, levar astronautas americanos de volta à Lua antes que a China consiga fazer isso é uma “prioridade nacional”.

A declaração de Isaacman ajudou a diminuir o medo de que a volta à Lua — objetivo criado ainda no primeiro mandato de Trump com o programa Artemis — fosse deixado de lado devido à nova atenção a Marte. O programa Artemis, que movimenta bilhões de dólares e tem a participação de várias empresas privadas, incluindo a SpaceX de Elon Musk, pretende usar a Lua como campo de testes para as missões que irão para Marte no futuro.
Mesmo assim, o depoimento de Isaacman levanta dúvidas sobre como essa prioridade em Marte pode mexer no cronograma e no orçamento do programa lunar. A expectativa é que esse assunto vire um dos pontos principais da audiência no Senado.
Durante seu segundo mandato, Trump tem falado bastante sobre a corrida para Marte. Já Elon Musk — que doou US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) para a campanha de reeleição de Trump e apoiou a indicação de Isaacman — acredita que a Lua seria uma distração no caminho para colonizar Marte.
Europa também investe em missões para Marte
No começo de abril, a Airbus fechou um contrato de £150 milhões (cerca de US$ 194 milhões) que marca um novo passo importante. A Europa vai se juntar à NASA para uma missão em Marte, prevista para acontecer em 2028.
O contrato prevê a construção da plataforma de pouso que levará o rover ExoMars até o planeta vermelho. Além de ser um grande avanço técnico, esse projeto mostra como a Europa está cada vez mais ambiciosa na exploração do espaço e quer ser mais independente em áreas importantes como defesa e tecnologia.
O rover, chamado Rosalind Franklin em homenagem à cientista que ajudou a descobrir a estrutura do DNA, terá como missão principal procurar sinais de vida em Marte. Ele vai perfurar o solo para pegar amostras e analisá-las, tentando encontrar sinais de vida antiga ou até atual.
A missão estava prevista para 2022, mas foi adiada por causa da guerra na Ucrânia. A parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Rússia foi cancelada, e isso exigiu mudanças importantes, como a troca do módulo de pouso, que seria fornecido pela Rússia. Agora, com o novo contrato, a Airbus assume a tarefa de garantir que o rover chegue em segurança até o solo marciano.
Pousar em Marte é muito difícil. O terreno é cheio de dunas, penhascos e áreas irregulares, o que aumenta o risco de acidentes. Para diminuir esses perigos, a plataforma da Airbus terá rampas em lados opostos, para que o rover desça para uma área mais estável e segura.
Esse projeto é um grande teste para a engenharia europeia e marca um momento histórico para a Airbus e para o setor espacial da Europa. Pela primeira vez, a Europa vai construir sozinha um módulo de pouso para Marte, reforçando seu papel de destaque na exploração do espaço.
A conquista desse contrato veio em boa hora para a Europa, que quer reduzir sua dependência tecnológica dos Estados Unidos. Mesmo mantendo a parceria com a NASA, a Europa mostra que está pronta para seguir um caminho mais independente.
Com o apoio do governo britânico e da ESA, o desenvolvimento da plataforma já está ajudando a economia local, criando cerca de 200 novos empregos no Reino Unido. Isso também ajuda a formar novos profissionais nas áreas de engenharia, ciência e tecnologia, fortalecendo a posição da Europa no mercado espacial global.
Missão ExoMars
A missão ExoMars quer ir além de Marte. Além de buscar respostas sobre a possibilidade de vida no planeta e entender melhor as origens da vida, as tecnologias criadas para a missão poderão ser usadas em futuras explorações da Lua, de asteroides e até de outros planetas.
O que for aprendido na construção e operação da plataforma, assim como as descobertas feitas pelo rover, vai ajudar em projetos ainda mais ousados no futuro. É uma chance para a Europa se firmar como uma potência espacial e ganhar força no cenário mundial.
Com esse contrato importante, a Airbus e a ESA mostram que a Europa está pronta para ir mais longe — não só na busca por vida em Marte, mas também como líder global em ciência, inovação e exploração do espaço.
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