O Google anunciou nesta sexta-feira, 2 de maio, que, a partir da próxima semana, seu chatbot de inteligência artificial, chamado Gemini, poderá ser usado por crianças com menos de 13 anos que tenham contas controladas pelos pais através do serviço Family Link.
A iniciativa faz parte dos esforços das grandes empresas de tecnologia para atrair o público jovem com ferramentas baseadas em inteligência artificial generativa — uma tecnologia que consegue criar textos, imagens e vídeos realistas a partir de muitos dados.
Em uma mensagem enviada aos pais, o Google explicou que as crianças poderão usar o Gemini para tirar dúvidas, receber apoio em atividades escolares e até inventar histórias. No entanto, a empresa reconhece que o uso da ferramenta por crianças exige cuidados, principalmente em relação à segurança e à privacidade na internet.

O Family Link é uma ferramenta do Google que permite aos pais ou responsáveis criar contas infantis e controlar o que pode ser acessado, como o YouTube e o Gmail. Com a liberação do Gemini para essas contas, os pais serão avisados quando a criança usar o chatbot pela primeira vez e poderão limitar ou bloquear o acesso a qualquer momento. Mesmo assim, a novidade trouxe novamente à tona preocupações sobre os riscos do contato precoce de crianças com tecnologias como a inteligência artificial.
De acordo com Karl Ryan, porta-voz do Google, o Gemini terá proteções especiais para evitar que as crianças encontrem conteúdos perigosos ou inadequados. Ele também garantiu que as informações fornecidas pelas crianças não serão usadas para melhorar os sistemas de inteligência artificial da empresa, o que ajuda a lidar com as preocupações sobre a coleta de dados de menores de idade.
Ainda assim, o próprio e-mail enviado aos pais alerta que o Gemini pode apresentar erros. A mensagem recomenda que os adultos incentivem as crianças a pensar de forma crítica sobre as respostas recebidas. O Google também orienta que os responsáveis expliquem que o Gemini não é uma pessoa de verdade e que dados pessoais e informações importantes não devem ser compartilhados com o chatbot.
Especialistas alertam sobre riscos de manipulação e exposição
O lançamento da nova ferramenta acontece em um momento em que milhões de jovens já usam a inteligência artificial para estudar, escrever melhor ou até conversar com assistentes virtuais. Ao mesmo tempo, organizações como o Unicef chamam a atenção para o risco de que essas tecnologias confundam ou influenciem crianças pequenas, principalmente aquelas que ainda não conseguem entender bem que esses sistemas não são pessoas de verdade.
Um relatório do Unicef mostrou que a inteligência artificial generativa pode criar conteúdos perigosos ou enganosos, e que as crianças são especialmente sensíveis a esse tipo de influência. A organização defende que sejam criadas regras mais claras e rígidas para proteger o público infantil nesse novo cenário tecnológico.
As preocupações aumentam quando se olha para o histórico de grandes empresas de tecnologia. Em 2021, o Meta (dona do Facebook e Instagram) precisou cancelar os planos de lançar o Instagram Kids após ser pressionada por procuradores e grupos de defesa dos direitos das crianças, que criticaram a empresa por não garantir a segurança dos jovens em suas plataformas.
Casos parecidos já aconteceram com Google, Amazon e Microsoft, que foram processadas e pagaram multas altas por violar a Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças (COPPA), que exige a autorização dos pais para coletar dados de menores de 13 anos.
Com o lançamento do Gemini, o Google busca equilibrar inovação e responsabilidade. O novo chatbot promete ajudar os alunos nos estudos, mas especialistas alertam para possíveis problemas. Entre eles estão a dificuldade de controlar informações falsas, o risco de acesso a conteúdos inadequados e a possibilidade de coleta de dados pessoais sem o devido cuidado.
O próprio Google reconhece que as crianças podem encontrar conteúdos que os pais não gostariam que elas vissem. Por isso, é importante que os responsáveis acompanhem de perto o uso dessas ferramentas e que haja políticas públicas mais firmes para proteger crianças e adolescentes no uso de novas tecnologias.
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