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Meta enfrenta dificuldade contra golpes em anúncios, diz jornal

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A Meta, empresa controladora do Facebook e do Instagram, tornou-se um dos principais vetores de golpes digitais, segundo órgãos reguladores, instituições financeiras e documentos internos da companhia obtidos pelo Wall Street Journal. O aumento dessas fraudes tem afetado desde consumidores comuns até pequenos empresários, cujas marcas são exploradas por redes criminosas internacionais.

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No Brasil, a Polícia Civil do DF prendeu três golpistas que usavam deepfake de Marcos Mion em fraudes nas redes sociais |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Um dos casos mais emblemáticos é o de Edgar Guzman, dono da Half-Off Wholesale, empresa que vende ferramentas e artigos de jardinagem no atacado em Atlanta. Nos últimos dois anos, Guzman tem recebido reclamações de clientes que acreditam ter comprado seus produtos após serem atraídos por anúncios falsos veiculados nas plataformas da Meta. A empresa, que não realiza vendas online, teve seu nome, endereço e imagens usados por golpistas.

Levantamento na biblioteca de anúncios da Meta revelou que mais de 4.400 anúncios com o endereço da Half-Off foram publicados no último ano, dos quais apenas 15 eram legítimos. A maior parte dos perfis fraudulentos está registrada em países como China, Sri Lanka, Vietnã e Filipinas. Os consumidores que realizam pagamentos acabam lesados, sem receber os produtos. Guzman afirma que as denúncias feitas à Meta não resultam em ações eficazes.

O problema é mais amplo. Relatórios do JPMorgan Chase indicam que quase metade dos golpes feitos via Zelle, plataforma de pagamentos entre pessoas físicas, originaram-se em anúncios no Facebook e Instagram entre 2023 e 2024. Situação semelhante ocorre em países como Reino Unido e Austrália, evidenciando falhas nos mecanismos de verificação da Meta.

A própria Meta reconheceu a existência de uma “epidemia de golpes”, atribuída a redes criminosas transnacionais e ao uso crescente de tecnologias como deepfakes e inteligência artificial generativa. No entanto, documentos internos mostram que a empresa demora para suspender contas suspeitas, que podem acumular entre 8 e 32 notificações de fraude antes de serem banidas.

Golpes com marcas conhecidas e anúncios falsos

Golpistas também têm usado marcas famosas para dar aparência de legitimidade às fraudes. Recentemente, consumidores foram atraídos por anúncios que ofereciam brindes da marca de temperos McCormick & Co. Embora cobrem apenas US$ 9,99 (R$ 56,53) de frete, os sites capturam dados bancários para cobranças indevidas. Centenas de relatos levaram a empresa a alertar seus seguidores nas redes sociais.

Outro golpe recorrente envolve a venda ilegal de filhotes. Apesar da proibição da Meta à venda direta de animais, milhares de anúncios com fotos roubadas e localizações falsas foram encontrados, muitos ligados a redes baseadas em Camarões. Esses anúncios circulam principalmente no Facebook Marketplace, plataforma que já superou o Craigslist como maior site de classificados online.

Documentos internos indicam que, nos últimos anos, a Meta tem reduzido a prioridade no combate a fraudes em comparação a outras áreas, como tráfico de pessoas e prevenção ao suicídio. Uma análise de 2022 apontou queda de 46% na revisão de fraudes em grupos do Facebook após mudança no foco da empresa. A companhia também desistiu de exigir verificação de identidade para anunciantes não políticos, preocupada com perda de receita.

Polícia do DF prende quadrilha que usava deepfake de Marcos Mion em golpes

No Brasil, a vulnerabilidade das redes sociais foi mostrada em operação da Polícia Civil do Distrito Federal, que prendeu três integrantes de uma quadrilha que aplicava golpes com deepfake do apresentador Marcos Mion. Os criminosos usavam vídeos manipulados para divulgar falsas promoções em nome de uma rede de restaurantes.

Segundo a Delegacia de Crimes Cibernéticos, vítimas eram atraídas por anúncios patrocinados e levadas a sites fraudulentos onde compravam vouchers de desconto que jamais eram entregues. A quadrilha utilizava uma empresa de tecnologia como fachada e técnicas avançadas de engenharia social e marketing digital.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, com apreensão de veículos importados, aparelhos eletrônicos e outros materiais. Um dos suspeitos confessou o crime. Eles podem responder por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e associação criminosa, com penas de até 21 anos de prisão.

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Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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