A Meta, empresa controladora do Facebook e do Instagram, tornou-se um dos principais vetores de golpes digitais, segundo órgãos reguladores, instituições financeiras e documentos internos da companhia obtidos pelo Wall Street Journal. O aumento dessas fraudes tem afetado desde consumidores comuns até pequenos empresários, cujas marcas são exploradas por redes criminosas internacionais.
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Um dos casos mais emblemáticos é o de Edgar Guzman, dono da Half-Off Wholesale, empresa que vende ferramentas e artigos de jardinagem no atacado em Atlanta. Nos últimos dois anos, Guzman tem recebido reclamações de clientes que acreditam ter comprado seus produtos após serem atraídos por anúncios falsos veiculados nas plataformas da Meta. A empresa, que não realiza vendas online, teve seu nome, endereço e imagens usados por golpistas.
Levantamento na biblioteca de anúncios da Meta revelou que mais de 4.400 anúncios com o endereço da Half-Off foram publicados no último ano, dos quais apenas 15 eram legítimos. A maior parte dos perfis fraudulentos está registrada em países como China, Sri Lanka, Vietnã e Filipinas. Os consumidores que realizam pagamentos acabam lesados, sem receber os produtos. Guzman afirma que as denúncias feitas à Meta não resultam em ações eficazes.
O problema é mais amplo. Relatórios do JPMorgan Chase indicam que quase metade dos golpes feitos via Zelle, plataforma de pagamentos entre pessoas físicas, originaram-se em anúncios no Facebook e Instagram entre 2023 e 2024. Situação semelhante ocorre em países como Reino Unido e Austrália, evidenciando falhas nos mecanismos de verificação da Meta.
A própria Meta reconheceu a existência de uma “epidemia de golpes”, atribuída a redes criminosas transnacionais e ao uso crescente de tecnologias como deepfakes e inteligência artificial generativa. No entanto, documentos internos mostram que a empresa demora para suspender contas suspeitas, que podem acumular entre 8 e 32 notificações de fraude antes de serem banidas.


