Depois de uma reunião com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o ministro Alexandre Silveira descarta urgência para volta do horário de verão
O Ministério de Minas e Energia descartou na última quarta-feira, 16 outubro, a volta do horário de verão neste ano. Em coletiva de imprensa, o ministro da pasta, Alexandre Sílveira, afirmou que a situação dos reservatórios não exige a retomada da medida que adianta os relógios do país em uma hora.

“O Comitê se reuniu 10 vezes para discutir efetividade e imprescindibilidade da decretação do horário de verão e hoje chegamos à conclusão que não há necessidade, ao menos agora neste verão”, ressaltou Silveira, que afirmou que a volta da medida ainda será analisada para 2025.
Situação não é emergencial
A declaração foi feita logo após a reunião com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Temos a segurança energética assegurada e um início de processo de estabelecimento da nossa condição hídrica”, garantiu o ministro.
O ministro ressaltou que a medida foi tomada em conjunto com o ONS e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). No entanto, Silveira destacou a responsabilidade da decisão.
“Essa, especificamente, não é uma medida de governo. Quem tem que responder por ela é o ministro de Estado. Só comuniquei ao presidente (Lula) hoje pela manhã, mas é uma decisão do MME e do ministro de Estado. Às vezes há a leitura de que essa é uma decisão política, não é. É uma decisão técnica”, enfatizou.
Por qual motivo o horário de verão foi suspenso?
Historicamente, o horário de verão tinha como principal objetivo a redução de consumo de energia elétrica a partir do melhor aproveitamento da luz natural com o adiantamento dos relógios em uma hora.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, houve uma mudança de hábitos nos últimos anos do consumo de energia da população, a qual passou a deslocar o maior consumo diário de energia para o período da tarde. O horário de verão deixou de produzir os resultados para os quais essa política pública foi formulada, perdendo sua razão de ser aplicado do ponto de vista do setor elétrico.
A partir dessas mudanças de hábitos de consumo e da configuração sistêmica do setor elétrico brasileiro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) solicitou novos estudos sobre os impactos do horário de verão. Nestes estudos as conclusões obtidas convergiram para a constatação de que o horário de verão não mais produzia os resultados esperados de redução de consumo de energia elétrica.
Como foi criado o horário de verão?
O horário de verão é uma prática adotada em países para aproveitar melhor a luz solar e economizar energia. Consiste em adiantar os relógios em uma hora durante os meses de maior luminosidade, geralmente na primavera e no verão, para reduzir o consumo de eletricidade no período noturno. Com isso, as atividades humanas se ajustam ao horário em que há mais luz natural, proporcionando a necessidade de iluminação artificial.
A ideia do horário de verão surgiu no final do século XVIII, proposta por Benjamin Franklin em 1784. Ele sugeriu, em um ensaio, que adiantar o horário durante o verão seria possível economizar velas, aproveitando mais a luz solar.
No entanto, a ideia não foi aplicada de imediato. O conceito ganhou força durante a Primeira Guerra Mundial, quando alguns países, como Alemanha e Reino Unido, adotaram uma medida para economizar recursos energéticos em tempos de guerra.
A prática se popularizou ao longo do século XX e foi adotada por diversos países. No Brasil, o horário de verão foi instituído pela primeira vez em 1931, voltando nos anos subsequentes. Apesar dos benefícios energéticos, o horário de verão gerou debates sobre seus impactos na saúde e na economia, descontinuado em alguns locais.